Monarquias Estrangeiras

Discussão geral sobre actualidades relacionadas com a monarquia.

Moderador: Beladona

Luí­s MF
Novo Utilizador
Novo Utilizador
Mensagens: 1
Registado: 29 de julho de 2019 às 00h31

Mensagem por Luí­s MF »

Eu vi esse documentário e adorei.

Avatar do Utilizador
Beladona
Regente
Regente
Mensagens: 2985
Registado: 23 de abril de 2007 às 17h13
Localização: Algarve

Mensagem por Beladona »

O rei da Tailândia realizou uma cerimónia estranha no domingo, onde nomeou um dos seus principais generais e namorada de longa data como sua amante oficial, um papel que não foi formalmente reconhecido desde 1921.

in Fox News

O rei Maha Vajiralongkorn, também conhecido como Rei Rama X, nomeou o Major-General Sineenat Wongvajirapakdi como a nova Real Nobre Consorte, o título oficial da concubina-chefe, informou a Royal Central.

Na cerimónia televisionada, que também aconteceu no 67º aniversário de Rama X, ele concedeu a Sineenat quatro medalhas, incluindo a mais ilustre Ordem de Chula Chom Klao, 1ª classe e a mais importante Ordem, a do Elefante Branco.

Suthida, que era ex-consorte e comissária de bordo da Thai Airways, casou-se com o rei numa cerimónia oficial no dia 1º de Maio, onde foi nomeada rainha oficial da Tailândia.

Rama X foi casado quatro vezes. Ele casou-se com a sua prima em primeiro grau Princesa Soamsawali Kitiyakara em 1977 e teve um filho. Mais tarde, eles se divorciaram, mas não antes de ter cinco filhos com Yuvadhida Polpraserth, que acabou se tornando a sua segunda esposa. Eles se casaram em 1994, mas se divorciaram dois anos depois. Em 2001 Rama X casou-se com a sua terceira esposa e tiveram um filho do seu casamento de 13 anos antes de se divorciar em 2014.

Segundo o Times esta é a primeira vez que um Rei tailandês tem abertamente mais de um cõnjuge desde o fim da monarquia absolutista em 1932.

A última Real Nobre Consorte foi nomeado em 1921. Os últimos quatro Reis tailandeses eram todos monogâmicos, excepto o Rei Rama VIII que nunca se casou.
Imagem

Avatar do Utilizador
Beladona
Regente
Regente
Mensagens: 2985
Registado: 23 de abril de 2007 às 17h13
Localização: Algarve

Mensagem por Beladona »

Uma postura muito interessante publicada há já algum tempo, mas continuando a ser um artigo/entrevista a Dom João Henrique de Orléans e Bragança muito actual e um exemplo para o nosso movimento monárquico...

"A família real não tem o direito de dizer quem será o rei", diz Dom João de Orléans e Bragança, 63 anos, é o integrante mais famoso do ramo de Petrópolis


Por:Tiago Cordeiro, especial para a Gazeta do Povo [08/08/2017]


No ramo da família imperial de Petrópolis, muitos dos atuais descendentes não concordam com a renúncia de 1908. Afinal, não havia um trono para se abrir mão , nem a carta do príncipe foi protocolada e devidamente reconhecida por autoridades civis brasileiras. Dos homens deste ramo da família, caso a renúncia fosse desconsiderada, Pedro de Alcântara Gastão de Orléans e Bragança teria herdado o trono e seria o rei até morrer, em 2007. Teria sido seguido por Pedro Carlos, mas ele se casou, duas vezes, com mulheres que não são da nobreza "“ o que reabriria a polêmica.

Mas o sucessor mais popular dessa parte da família é outro: o príncipe Dom João . Ele vive em Paraty, onde trabalha como fotógrafo e mantém uma imobiliária e a Pousada do Príncipe. Surfista, já pegou onda na Indonésia e mantém, desde a década de 1970, uma relação muito próxima com os índios Xingu. Todos os anos, oferece um almoço aos escritores presentes à Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip.

LEIA MAIS: O Brasil ainda tem uma família imperial. Mas, por quê?

Em entrevista à Gazeta do Povo, Dom João Henrique de Orléans e Bragança afirmou que a família real não tem o direito de indicar quem será o próximo rei. Ele também falou sobre as prioridades de um monarca, o combate à corrupção e a relação entre Estado e religião .

O que a família real tem a oferecer ao Brasil hoje?

As monarquias parlamentaristas constitucionais, como existem em boa parte da Europa, funcionam com a vantagem de fazer a separação de governo e estado. Acredito que o parlamentarismo funciona melhor com um rei de chefe de estado. As famílias reais são educadas desde cedo a servir ao país, a dedicar sua vida à nação , sem querer nada em troca. É uma postura de idealismo e de patriotismo.

Em caso de retorno da monarquia, quem deveria ser o rei do Brasil?

Em qualquer democracia a lei é feita através do parlamento. A família real não tem o direito de dizer quem será o rei. A família não tem esse poder nem esse direito de indicar. O rei seria escolhido pela população através de seus representantes legais no Congresso. Não existe obrigatoriedade de ser um Orleans e Bragança.

Existe mesmo uma rixa entre os grupos de Petrópolis e de Vassouras?

Hoje existe um contato, mas um problema que existe é que dois membros do ramo de Vassouras (Dom Luiz e Dom Bertrand) são ligados a uma instituição de direita. Eles estão fora de qualquer postura aceita para uma família real. Eu sou suprapartidário. Já me pediram para eu me candidatar para cargos, o governador (do Rio de Janeiro) Brizola me convidou para entrar para o governo, trinta anos atrás. Mas eu sempre digo: eu faço política, mas não posso entrar em política partidária. É a premissa básica das famílias reais. Nos eventos políticos e culturais que faço na minha casa, recebo de frei Betto a Fernando Henrique Cardoso.

SAIBA MAIS:"‰ Leia a entrevista com Dom Bertrand, integrante do ramo de Vassouras da família imperial

Um rei faria voltar o Poder Moderador, que dava poderes aos imperadores?

Nos parlamentarismos republicanos, o presidente também exerce um poder moderador porque representam não o governo, mas a nação . Essa é a vantagem do parlamentarismo, que funciona infinitamente melhor do que nosso presidencialismo de coalisão , ou de cooptação . E na Inglaterra, na Espanha, na Bélgica, na Noruega, na Suécia, na Dinamarca, os representantes da instituição , ou seja, o rei e a rainha, não dizem o que eles querem. Isso é regido pela constituição . A lei que rege uma sociedade é a força maior. Os reis, os presidentes, os deputados, os senadores, todos os servidores públicos devem servir ao país por ideal.

Quais seriam suas prioridades como monarca?

Veja bem, o rei tem como prioridade apenas o equilíbrio das instituições e a função de reger o acordo entre partidos. O chefe da instituição não dita políticas, mas tenta conciliar interesses do país, para que não batam tanto de frente com interesses partidários. Nem um presidente, num sistema parlamentarista, tem prioridades pessoais. Quem manda é o parlamento.

Como o senhor combateria a corrupção ?

Volto a dizer: a grande mudança não é a monarquia, é o parlamentarismo. Num regime parlamentarista, Michel Temer já teria caído, sem crise, e a notícia nem teria tanto destaque na capa dos jornais. Hoje falta justamente alguém que concilie a divisão , a intolerância que está acontecendo no país hoje.

Apoiaria projetos de união estável homoafetiva?

Sou totalmente a favor. Há anos mando meu apoio para grupos LGBT e peço que acabe a intolerância em relação a todas as minorias.

Defenderia o fortalecimento da igreja católica?

Isso não faz nenhum sentido. A ligação entre Estado e religião é medieval. Vou te contar uma passagem de dom Pedro II, que foi um dos maiores estadistas do Brasil. Ele foi visitar a rainha Vitória, numa viagem particular, paga do bolso dele. Ela perguntou onde ele tinha ido pela manhã: à sinagoga de Londres. E onde iria à tarde: à mesquita. Ele falou: "tenho a maior admiração por essas duas religiões, elas têm grandes valores morais e éticos". Essa postura é a minha.

Copyright © 2019, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

Imagem

Avatar do Utilizador
Beladona
Regente
Regente
Mensagens: 2985
Registado: 23 de abril de 2007 às 17h13
Localização: Algarve

Mensagem por Beladona »

A não esquecer...

Apesar de na altura Espanha ainda ser uma república, não posso deixar de partilhar esta horrível memória de um tempo que espero não volte...Faz este mês de Agosto de 2019, no próximo dia 14, 83 anos da horrível matança ou massacre de Badajoz na Guerra Civil Espanhola...


(AGOSTO DE 1936) "˜A MATANÇA DE BADAJOZ FOI O MAIOR MASSACRE DA GUERRA CIVIL ESPANHOLA


No dia 14 de Agosto de 1936 e nas duas semanas seguintes foram mortas milhares de pessoas (segundo algumas estimativas cerca de 10 mil), a maioria fuziladas na antiga Praça de Touros.


O jornalista português Mário Neves, que chegou a Badajoz no dia 15 de Agosto, ainda pôde testemunhar todo o horror que se vivia na cidade extremenha e disso deu conta num artigo publicado no Diário de Lisboa de 16 de Agosto e depois num livro intitulado "A matança de Badajoz".

Milhares de espanhóis perseguidos pelas tropas fascistas fugiram em direcção à fronteira portuguesa, sendo entregues de novo aos torcionários espanhóis e fuzilados. Foi um dos primeiros episódios da violência fascista em larga escala, menos de um mês depois do inicio da sublevação dos generais sediciosos, que iria marcar toda a guerra civil espanhola.


Escrevia Mário Neves no último artigo (censurado) enviado para o "Diário de Lisboa":

"Badajoz, 17. "“ Vou partir. Quero deixar Badajoz, custe o que custar, o mais depressa possível e com a firme promessa à minha própria consciência de que não mais voltarei aqui. Por muitos anos que me conserve na vida jornalística, jamais se me deparará, por certo, acontecimento tão impressionante como este que me trouxe a terras abrasadoras de Espanha e me conseguiu desafinar por completo os nervos. Não se trata de uma piuguice ridícula, dum sentimentalismo excessivo. Basta ter uma mediana formação moral e estar sinceramente fora das paixões que se chocam para não poder presenciar a frio as cenas horríveis desta guerra civil tremenda que ameaça devorar a Espanha, destruindo para sempre o amor e semeando ódios bem fundos.

Antes de abandonar, porém, esta cidade, onde a paz não voltará com certeza a reinar tão cedo "“ digo paz e não sossego -, desejo abordar ainda um aspecto deste extraordinário assunto. Entrei aqui ontem, às 10 horas da manhã. Os cadáveres que vi não eram os mesmos que hoje encontro, em locais diversos. As autoridades são as primeiras a divulgar, para que se veja como é inflexível a sua justiça, que as execuções são em número muito elevado. Que fazem então dos corpos? Onde poderão enterra-los em tão curto prazo? Quem disporá de tempo para o fazer? Decerto que os serviços de comando deste exército que ocupa agora a cidade não deixou de pensar numa solução . Várias pessoas a quem me dirijo, para tentar satisfazer a minha curiosidade, parecem temer dar-me qualquer resposta.

O acaso, um mero acaso, põe-me em contacto com um sacerdote, que, ao saber-me português, me faz o melhor acolhimento e proporciona a solução para a minha incógnita: os mortos são tantos que não é possível dar-lhes sepultura imediata. Só a incineração em massa conseguirá evitar que os corpos, acumulados, se putrefaçam, com grande perigo para a saúde pública. E foi essa operação macabra que hoje começou a realizar-se às 6 horas da manhã no cemitério, provocando a grande fumaceira que, quando vinha do Caia, observei num ponto que me indicaram como sendo o cemitério.

Graças à companhia deste cura amável, junto do qual não mais encontrei dificuldades, posso ir até ao cemitério da cidade, que fica a cerca de dois quilómetros, próximo da estrada de Olivença. É um cemitério simples de província, com o clássico muro branco e um largo portão de ferro, em que a vigilância dos guardas é hoje bastante apertada. Mas nenhuma porta se fecha hoje, diante de nós, com este salvo-conduto humano, que providencialmente se nos deparou.

Há dez horas que a fogueira arde. Um cheiro horrível penetra-nos pelas narinas a tal ponto que quase nos revolve o estõmago. Ouve-se de vez em quando uma espécie de crepitar sinistro da madeira. Nenhum artista, por mais genial que fosse, seria capaz de reproduzir em tela esta impressionante visão dantesca.

Ao fundo, num degrau cavado na terra, com o aproveitamento de uma diferença de nível, encontram-se, sobre traves de madeira transversais, semelhantes às que se usam nas linhas férreas, numa extensão talvez de quarenta metros, mais de 300 cadáveres, na sua maioria carbonizados. Alguns corpos, arrumados com precipitação , estão totalmente negros, mas outros há em que os braços ou as pernas, intactos, escaparam às labaredas provocadas pela gasolina.

O sacerdote que nos conduz compreende que o espectáculo nos incomoda e tenta explicar-nos:

"“ Mereciam isto. Além disso, é uma medida de higiene indispensável"¦

O fumo que se evola deste montão disforme já não é denso. Aqui e ali se ergue ainda uma colunazinha branca, que vai espalhando pelo céu, num ambiente louco de calor, um cheiro indescritível. Temos de sair. De um lado, 30 cadáveres de paisanos aguardam a sua vez, enquanto, em frente, 23 corpos de legionários, aqueles que tombaram sob o fogo intenso das metralhadoras, na brecha da Puerta de la Trinidad, estão também à espera de que chegue a hora do seu solene enterramento.

À porta do cemitério, um camião traz mais quatro corpos, que foram recolhidos algures e, conduzidos pelos guardas em carrinhos de mão , se vão juntar aos trinta que serão mais tarde incinerados. "“ Mário Neves."
Imagem

Avatar do Utilizador
Beladona
Regente
Regente
Mensagens: 2985
Registado: 23 de abril de 2007 às 17h13
Localização: Algarve

Mensagem por Beladona »

O Dia Nacional de Espanha

in The Splendor of the Royals, José Luis Alvarez

Hoje dia 12 de Outubro, comemora-se o Dia Nacional de Espanha. A data comemora o aniversário da primeira chegada de Cristóvão Colombo às Américas, um dia também comemorado em outros países. Para esta comemoração , há um desfile liderado pelos militares (geralmente realizado em Madrid) e presidido pelo Rei (que é o chefe de estado, já que Espanha é politicamente organizada como uma monarquia constitucional) e pela Família Real (Rainha Letizia), Princesa Leonor das Astúrias e Sofia, Infanta de Espanha).
Imagem

Avatar do Utilizador
Beladona
Regente
Regente
Mensagens: 2985
Registado: 23 de abril de 2007 às 17h13
Localização: Algarve

Mensagem por Beladona »

As primeiras imagens da visita de Kate e William ao Paquistão
13 anos depois, a família real britânica faz-se representar no país através dos duques de Cambridge. Em destaque, os looks coloridos e elegantes escolhidos por Kate Middleton.


in Observador

15 oct 2019, 11:07


Getty Images

Foi na noite de segunda-feira que os duques de Cambridge aterraram em Islamabad, para darem início a cinco dias de uma visita oficial de cinco dias no Paquistão , o resultado de uma das mais difíceis organizações no que a um périplo real diz respeito, revelara entretanto o palácio de Kensington, ciente dos desafios ao nível das medidas de segurança. Mas claro que as maiores dores de cabeça se afastam ligeiramente de cena quando uma parada de looks impõe devida a apreciação "” e as já típicas evocações.


À chegada, a mulher de William deixou claro que as jornadas seguintes seriam marcadas por um compromisso entre os seus nomes de estimação e os talentos e preceitos locais. Optou por um shalwar kameez turquesa (o traje tradicional) com assinatura da designer fixada em Londres Catherine Kameez. A escolha da duquesa de imediato trouxe à memória um dos visuais eleitos há quase trinta anos pela princesa Diana, quando também ela visitou o Paquistão , em 1991 "” a mesma princesa que seis anos depois, em 1997, poucos meses antes de morrer, regressaria ao país para visitar um hospital oncológico, em Lahore. A mais recente deslocação a este destino por parte de elementos do clã real britânico foi a do príncipe Carlos e de Camilla, que ali estiveram em 2006.


E como a diversidade de visuais é tão intensa como as agendas costumam ser, Kate Middleton voltou a destacar-se na sua elegância habitual, agora no encontro que o casal teve com o primeiro-ministro do país, Imran Khan, no centro da capital do país. Para esta ocasião , a duquesa preferiu um casaco em tom verde vibrante, de novo com design de Catherine Walker, uma cor que deverá repetir dada a sua presença na bandeira do país. Quanto às calças e ao lenço usado, Kate optou por criadores locais, Maheer Khan e Satrangi.


Para o primeiro compromisso oficial do par, que se tratou de uma visita a uma escola, a nota dominante foi o azul, que se revelou em mais um shalwar kameez, desta feita do designer local Maheer Khan.

Imagem

Avatar do Utilizador
Beladona
Regente
Regente
Mensagens: 2985
Registado: 23 de abril de 2007 às 17h13
Localização: Algarve

Mensagem por Beladona »

A 12 de Fevereiro de 1912 deu-se a abdicação do último Imperador da China Hsuan Tung ou Pu Yi...

in diversas fontes da net.

Pu Yi nasceu em Pequim a 7 de Fevereiro de 1906 e morreu em Pequim a 17 de Outubro de 1967, também conhecido como Henry Pu Yi e oficialmente como imperador Xuantong, foi o último Imperador da China da Dinastia Qing de 1908 até à sua abdicação forçada em 1912 devido à Revolução Xinhai. Ele também foi imperador do estado fantoche japonês de Manchukuo de 1934 até ao final da Segunda Guerra Sino-Japonesa em 1945 sob o nome de Kangde.
Leonor Especial
Imagem

Avatar do Utilizador
Beladona
Regente
Regente
Mensagens: 2985
Registado: 23 de abril de 2007 às 17h13
Localização: Algarve

Mensagem por Beladona »

Isabel II faz 94 anos mas não haverá a tradicional salva de tiros

Aniversário é na terça-feira. Todos os anos, são disparadas salvas de tiros em Hyde Park, na Torre de Londres e no parque real de Windsor, a cerca de 40 km da capital para assinalar o dia. Este ano, por causa do coronavírus, a rainha considerou ação inapropriada.

A rainha Isabel II comemorará o seu aniversário de forma discreta na próxima semana, sem as tradicionais salvas de tiros, que considerou "inapropriadas" por causa da pandemia que já causou mais de 15 mil mortos no Reino Unido.

Na próxima terça-feira, a rainha faz 94 anos. Todos os anos, são disparadas salvas de tiros em Hyde Park, na Torre de Londres e no parque real de Windsor, a cerca de 40 km da capital para assinalar a ocasião .

Este ano, no entanto, não será assim.

A tradicional salva de tiros não se vai ouvir este ano pelo aniversário da rainha.

"Não haverá a salva de tiros. Sua Majestade preferiu que não se colocasse em curso nenhuma medida especial de autorização para os tiros, por não considerar apropriado dadas as circunstâncias atuais", disse uma fonte do Palácio de Buckingham à AFP.

O Palácio de Buckingham também já tinha anunciado que este ano não haverá o tradicional desfile militar que é organizado sempre em junho para celebrar de forma oficial o aniversário da rainha.

Por causa da epidemia, Isabel II encontra-se em confinamento com o marido no castelo de Windsor. Com 93 e 98 anos, respetivamente, ambos formam parte da população de risco.

Este ano, e por causa do coronavírus, a rainha já fez dois discursos à nação . Um no dia 5 de abril, que coincidiu por acaso com o dia em que o primeiro-ministro, Boris Johnson, foi internado por causa do coronavírus, e outro na Páscoa.
Imagem

Avatar do Utilizador
Beladona
Regente
Regente
Mensagens: 2985
Registado: 23 de abril de 2007 às 17h13
Localização: Algarve

Mensagem por Beladona »

Happy Birthday Highness!!!

in diversas fontes da net.

Elizabeth II nasceu a 21 de Abril de 1926 (idade 94 anos),é a Rainha do Reino Unido e de quinze outros estados independentes conhecidos como Reinos da Comunidade de Nações, além de chefe da Commonwealth formada por 53 estados. É também a Governadora Suprema da Igreja de Inglaterra e, em alguns dos seus reinos, possui ainda o título de Defensora da Fé. Ao ascender ao trono a 6 de Fevereiro de 1952, Isabel tornou-se a Chefe da Comunidade Britânica e rainha de sete países independentes: Reino Unido, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, Paquistão e Ceilão .

Entre 1956 e 1992 o número de reinos variou já que certos territórios ganharam a sua independência e outros tornaram-se repúblicas.

Actualmente, além dos quatro primeiros estados mencionados, Elizabeth é rainha da Jamaica, Barbados, Bahamas, Granada, Papua-Nova Guiné, Ilhas Salomão , Tuvalu, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Belize, Antígua e Barbuda e São Cristóvão e Nevis...
Leonor Especial
Imagem

Avatar do Utilizador
Beladona
Regente
Regente
Mensagens: 2985
Registado: 23 de abril de 2007 às 17h13
Localização: Algarve

Re: Monarquias Estrangeiras

Mensagem por Beladona »

Completam-se hoje 17-07-2020,102 anos do assassínio do que foi o último Czar de todas as Rússias, Nicolau II e respectiva família...
Nicolau II (em russo: Николáй Алексáндрович Ромáнов; transl.: Nikolái Alieksándrovich Románov), foi o último Imperador da Rússia, Rei da Polónia e Grão-Duque da Finlândia. Nasceu no Palácio de Catarina em Tsarskoye Selo próximo de São Petersburgo, a 18 de Maio (6 de Maio no calendário juliano) de 1868. É também conhecido como São Nicolau o Portador da Paixão pela Igreja Ortodoxa Russa. Oficialmente era chamado Nicolau II, Imperador e Autocrata de Todas as Rússias.


In diversas fontes da net.

Filho de Alexandre III, governou desde a morte do pai a 1 de Novembro de 1894, até à sua abdicação a 15 de Março de 1917 quando renunciou em seu nome e no nome do seu herdeiro, passando o trono para o seu irmão o grão-duque Miguel Alexandrovich.
Durante o seu reinado viu a Rússia decair de uma potência do mundo para um desastre económico e militar. Nicolau foi apelidado pelos críticos de "o Sanguinário" por causa da Tragédia de Khodynka, pelo Domingo Sangrento e pelos fatais programas antissemitas que aconteceram durante o seu reinado. Como Chefe de Estado, aprovou a mobilização de Agosto de 1914 que marcou o primeiro passo fatal em direcção à Primeira Guerra Mundial, a revolução e consequente queda da dinastia Romanov.
O seu reinado terminou com a Revolução Russa de 1917, quando, tentando regressar do quartel-general para a capital a sua carruagem foi detida em Pskov e ele foi obrigado a abdicar. A partir daí, o czar e a sua família foram aprisionados, primeiro no Palácio de Alexandre em Tsarskoye Selo, depois na Casa do Governador em Tobolsk e finalmente na Casa Ipatiev em Ecaterimburgo. Nicolau II, a sua mulher,o seu filho, as suas quatro filhas, o médico da família imperial, um servo pessoal, a camareira da imperatriz e o cozinheiro da família foram executados no porão da casa pelos bolcheviques na madrugada de 16 para 17 de Julho de 1918. É conhecido que esse evento foi ordenado de Moscovo por Lenine e pelo também líder bolchevique Yakov Sverdlov. Mais tarde Nicolau II, sua mulher e seus filhos foram canonizados como neomártires por grupos ligados à Igreja Ortodoxa Russa no exílio.
Nicolau era filho do czar Alexandre III e da imperatriz Maria Feodorovna, nascida "Princesa Dagmar da Dinamarca". Os seus avós paternos eram o imperador Alexandre II e a imperatriz Maria Alexandrovna, nascida princesa Maria de Hesse. Os seus avós maternos eram o rei Cristiano IX da Dinamarca e a princesa Luísa de Hesse-Cassel. Nicolau tinha três irmãos mais novos: Alexandre, Jorge e Miguel e duas irmãs mais novas: Xenia e Olga.
Pelo lado materno, Nicolau era sobrinho de vários monarcas, incluindo Jorge I da Grécia, Frederico VIII da Dinamarca, Alexandra da Dinamarca e Tira da Dinamarca.
Nicolau tornou-se czarevich após o assassinato do seu avô Alexandre II no dia 13 de Março de 1881 e à subsequente ascensão do seu pai, Alexandre III. Por razões de segurança o novo czar e a sua família mudaram-se do Palácio de Inverno em São Petersburgo para a sua residência no Palácio de Gatchina fora da cidade.
Nicolau e os irmãos foram rigidamente educados, dormiam em duras camas de armar e os seus quartos eram pobremente mobilados, excepto por um ícone religioso da Virgem e Filho rodeado por pérolas e outras gemas. A sua avó Maria Alexandrovna introduziu costumes ingleses dentro da família Romanov: papas de cereais no café-da-manhã, banhos frios e abundante ar fresco.
O czarevich foi educado por tutores em línguas (francês, alemão e inglês), geografia, dança e outras matérias. O conselheiro de seu pai e seu antigo tutor Konstantin Pobedonostsev, enfatizava fortemente a absoluta autocracia do czar.
Como muitas pessoas da altura, ele mantinha um detalhado diário, onde tomava notas dos detalhes mais pedantes do seu dia. Estão cheios de pormenores sem importância, sobre joguinhos com os amigos, temperatura, distâncias percorridas e outros. Em Maio de 1890 alguns dias antes do seu 22º aniversário, ele anotou: "Hoje eu terminei definitiva e eternamente a minha educação."
Em Outubro do mesmo ano, acompanhado pelo seu irmão Jorge, viajou para o Egipto, Índia e Japão. Essa viagem foi organizada pelo pai Alexandre III para complementar a educação formal de Nicolau, e dar a ele a oportunidade de experimentar a vida fora de São Petersburgo e do palácio. Durante a estadia no Japão, Nicolau sobreviveu a uma tentativa de assassinato.
Embora Nicolau participasse nos encontros do Conselho Imperial, as suas obrigações eram limitadas até à sua sucessão ao trono, o que não era esperado tão cedo já que o seu pai tinha apenas 49 anos.
Em oposição aos desejos dos pais, Nicolau casou-se com a princesa Alice de Hesse-Darmstadt, a quarta filha de Luís IV, Grão-duque de Hesse e do Reno e da princesa Alice do Reino Unido.
Os seus pais pretendiam um casamento com a princesa Helena de Orléans, filha do conde de Paris, o que estreitaria as relações da Rússia com a França, mas eventualmente desistiram com a insistência do filho.
Desde cedo o czar Nicolau demonstrou temperamento tímido e inclinações que o orientavam mais para a vida doméstica. Tinha as maneiras de um aluno de uma escola inglesa de elite. Dançava de forma elegante, era um bom atirador, cavalgava e praticava desportos.
Falava francês e alemão e o seu inglês era tão bom, que ele poderia ter enganado um professor da Universidade de Oxford, fazendo-se passar por um inglês. Adorava a história e a pompa do exército e a vida de soldado. O seu pai concedeu-lhe o grau de comandante de um esquadrão de guardas a cavalo e ele foi para Krasnoe Selo, o grande campo militar fora de São Petersburgo usado por regimentos da Guarda Imperial para manobras de verão. Lá, Nicolau participava inteiramente da vida e conversas das salas de jantar, e a sua modéstia fê-lo popular entre os seus oficiais.
Nenhum título significava mais para ele do que o de coronel.
Apesar das suas qualidades pessoais, como um autocrata absoluto, Nicolau foi considerado um fracasso. Ele descobriu que era impossível reconciliar as suas estritas visões do que era certo e do que era errado para a Rússia, com a responsabilidade de um monarca moderno de abrir mão das suas concepções para o bem da nação. Nicolau vacilava em decisões importantes. Isso fez com que ele fosse visto pelos ministros como fraco e contraditório.
Muitos historiadores avaliam-no como um monarca a quem faltava sentido político. Alan Moorehead, um correspondente de guerra, escreveu: "Os primeiros dez anos do reinado de Nicolau são em grande parte a história de uma tendência à fuga dos trabalhos do cérebro de um homem (…) que era desesperadamente incapacitado para compreender e controlar a Rússia".
Alguns, como o historiador Richard Pipes consideram Nicolau como tendo inteligência limitada e vontade débil, defeitos que tentava compensar com explosões ocasionais de teimosia. Ele não gostava do poder nem das suas regalias. Em confidência a um ministro, certa vez, chegou a dizer que mantinha as rédeas do Estado, não por prazer, mas porque o país precisava disso. À excepção de sua esposa e filhos, ele só se importava com a Rússia e com o Exército; afora os exercícios que praticava ao ar livre, tudo o mais deixava-o indiferente. Testemunhas concordam que ele jamais pareceu tão feliz como quando depois de ter abdicado do trono. Tal como o seu pai, Nicolau II desejava um modelo autocrático para o governo da Rússia. O seu czar favorito era Alexei I, tendo dado esse nome ao seu filho.
Nicolau ficou noivo de Alice de Hesse e Reno em Abril de 1894. Alice hesitou em aceitar a proposta de casamento devido ao requerimento de que teria que se converter do luteranismo para a ortodoxia russa e renunciar à sua fé inicial. Na cerimónia de conversão, esse aspecto foi eliminado, tornando fácil para ela converter-se com a consciência tranquila. Nicolau e Alice tornaram-se formalmente noivos no dia 8 de Abril de 1894. Alice converteu-se para a ortodoxia em Novembro de 1894 e passou a chamar-se Alexandra Feodorovna.
Esperando viver mais 20 ou 30 anos, Alexandre não se preocupou em dar ao filho educação política e consequentemente Nicolau recebeu pouco treinamento para esse dever imperial. Contudo, em meados de 1894 a saúde de Alexandre III inesperadamente declinou rapidamente. Alexandre morreu aos 49 anos em 1894 de doença nos rins. Nicolau, sentindo-se despreparado para os deveres da coroa, perguntou em lágrimas, ao seu primo: "O que será de mim e da Rússia? Eu não estou preparado para ser czar e nunca o quis ser. Não percebo nada dos negócios do governo. Não sei nem sequer como hei de falar com os ministros".
O Ministro das Finanças Sergei Witte contudo, reconheceu cedo a necessidade de um treinamento para Nicolau. Witte sugeriu a Alexandre III que Nicolau agisse como Presidente do Comité da Ferrovia Transiberiana. Alexandre argumentou que Nicolau não tinha maturidade suficiente para ter responsabilidades sérias, ao que Witte respondeu que, se Nicolau não fosse introduzido nos assuntos de Estado, nunca estaria preparado para entendê-los.
Nicolau também actuou como director do Comité Especial do Socorro à Fome, estabelecido depois das devastadoras crises de fome e secas de 1891-1892. Possivelmente, apesar da sua má preparação e inabilidade, Nicolau não era no geral destreinado para os seus deveres como czar. Por todo o seu reinado, ele decidiu manter a política conservadora do seu pai. Enquanto Alexandre se concentrava em formular a política geral, Nicolau devotou mais atenção em detalhes da administração.
O casamento de Nicolau e Alice, originalmente planeado para a primavera seguinte, foi antecipado devido à insistência de Nicolau.
Cambaleante abaixo do peso do seu novo ofício, ele não tinha intenções de permitir que a única pessoa que lhe dava confiança saísse do seu lado. O casamento aconteceu no dia 26 de Novembro de 1894. Alexandra trajava o tradicional vestido das noivas da família Romanov, e Nicolau, um uniforme dos Hussardos.
Segurando uma vela, Nicolau e Alexandra olharam os metropolitanos. Alguns minutos antes da uma hora da tarde, eles estavam casados.
Apesar de ter visitado o Reino Unido antes da sua ascensão, onde observou a Câmara dos Comuns do Reino Unido em debate e aparentemente impressionou-se pela máquina da democracia, Nicolau recusou qualquer ideia de dar algum poder para eleger representantes na Rússia. Pouco depois de assumir o trono, uma delegação de camponeses e trabalhadores de várias assembleias de cidades locais (zemstvos) foi ao Palácio de Inverno propor reformas na corte, assim como a adopção de uma monarquia constitucional. Embora os endereços que eles enviaram de antemão fossem redigidos em termos brandos e leais, Nicolau enfureceu-se e ignorou a recomendação do Conselho Imperial da Família, dizendo: "…chegou ao meu conhecimento que durante os últimos meses foram ouvidas em assembleias de zemstvos, vozes daqueles que se satisfazem de um tolo sonho de que os zemstvos seriam convidados para participar no governo do país. Espero que todos saibam que eu devoto todas as minhas forças para manter, pelo bem de toda a nação, o princípio absoluto da autocracia , tão firme e fortemente quanto meu lamentado pai." Estas palavras mostram a intenção de Nicolau de continuar a política do pai que possivelmente contribuíram para o começo da sua impopularidade.
Alexandra deu a Nicolau cinco filhos, Olga em 1895, Tatiana em 1897, Maria em 1899 e Anastásia em 1901, e um filho, Alexei em 1904.
A mais velha, Olga, era muito parecida com Nicolau. Era inteligente e rápida para captar ideias. Conversando com pessoas que conhecia bem, falava rapidamente, com sinceridade e perspicácia. Lia muito e adorava passear e nadar com o pai. Contava-lhe os seus segredos nas suas longas caminhadas.
Tatiana era a mais sociável e aparecia em mais ocasiões públicas do que as outras. Era chamada "a Governanta" pelos irmãos, porque era ela quem intercedia por eles aos pais. Tatiana era muito próxima da mãe. Era decidida, enérgica e emitia opiniões categóricas. "Sentia-se que ela era a filha de um imperador", declarou um oficial da Guarda.
A terceira filha, Maria, tinha um grande talento para a pintura e desenho. Era considerada a mais amável e simpática das irmãs, o que lhe rendeu o apelido de "o anjo da família". Maria flertava com jovens soldados e os seus assuntos preferidos eram casamento e filhos. Muitos achavam que ela daria uma esposa excelente para qualquer homem.
Anastásia era a mais travessa e esperta. Fazia imitações maldosas das pessoas que conhecia e brincadeiras, que às vezes iam longe demais. Quando pequena, subia às árvores e apenas Nicolau conseguia fazer com que descesse. Era chamada "shvibzik" (diabinho) e "a criança terrível".
O quinto e último filho, Alexei, foi uma criança muito desejada, já que até ao seu nascimento não havia um herdeiro para o trono. Apesar disso, poucos meses depois, descobriu-se que ele sofria de hemofilia, uma doença hereditária que impede a coagulação normal do sangue. Nessa altura a doença não tinha tratamento e usualmente levava à morte precoce. Como neta da rainha Vitória, Alexandra carregava o mesmo gene mutante que afligiu muitas casas reais europeias, como a Espanha e a Prússia. Por isso, a hemofilia ficou conhecida como "a doença real". Por causa da fragilidade da autocracia nesse período, Nicolau e Alexandra escolheram não divulgar a condição de Alexei a ninguém de fora do palácio. Quando ele faltava a festividades públicas, era anunciado que tivera um resfriado ou estava com o tornozelo deslocado. Ninguém acreditava nessas explicações, e o garoto foi objecto de rumores inacreditáveis. Diziam que Alexei era mentalmente retardado, epiléptico e fora vítima de bombas anarquistas.
No começo, Alexandra voltou-se para médicos russos para tratar de Alexei; contudo os tratamentos geralmente falhavam e progressivamente, ela voltou-se para místicos e homens santos. Um desses, Grigory Rasputin, parecia ter algum sucesso. A revelação da condição de Alexei iria inevitavelmente colocar novas pressões no czar e na monarquia. Mas o silêncio deixava a família vulnerável a rumores maldosos. Por causa da condição de Alexei nunca ter sido revelada, os russos nunca entenderam o poder que Rasputin mantinha sobre a imperatriz.
A despeito da sua doença, Alexei era um menino barulhento, vivo e travesso como Anastásia. À medida que foi crescendo, os pais explicaram-lhe a necessidade de evitar quedas e pancadas. No entanto, como era uma criança muito viva, Alexei sentia-se atraído por coisas perigosas. Havia ocasiões em que simplesmente ignorava todas as restrições e fazia o que queria.
A 14 de Maio de 1896 Nicolau foi coroado como czar na Catedral Uspensky, localizada no interior do Kremlin. A 18 de Maio de 1896 após a coroação, aconteceu uma histeria colectiva que ficou conhecida como a Tragédia de Khodynka. Um [banquete] foi preparado para o povo do Campo de Khodynka. Haveria teatros, 150 bufês distribuiriam presentes e 20 pubs foram construídos para a celebração. Na noite de 17 de Maio, algumas pessoas ouviram a notícia dos presentes que seriam distribuídos e começaram a chegar antecipadamente. Repentinamente um rumor propagou-se entre a multidão de que não haveria cerveja e presentes para todos. A força policial falhou em manter a ordem. Estima-se que 1429 pessoas morreram e outras 9000 a 20 000 ficaram feridas .
Nicolau e Alexandra foram informados sobre a tragédia, mas não imediatamente. Um baile festivo aconteceria nessa noite na embaixada francesa. O czar pensou em não comparecer, pois pareceria que não sentia pesar com as perdas dos seus súbditos. Mas acabou seguindo o conselho dos seus tios e compareceu à festa para não ofender Paris.
A administração de Nicolau publicou propaganda antissemita que encorajou tumultos, resultando nos pogroms de 1903 a 1906. Viacheslav Plehve, o Ministro do Interior, pagou ao jornal de Kishinev "Bessarabets" por material Anti-semita e a imprensa, durante a Guerra Russo-Japonesa acusou os judeus de serem uma quinta coluna. Essas acusações encorajaram a erupção de numerosos pogroms, especialmente depois da Rússia perder a guerra. Eles também resultaram da reacção do governo à Revolução de 1905.
Um choque entre a Rússia e o Japão era quase inevitável na virada do século XX. A expansão russa para leste e o crescimento de colónias e ambições territoriais, assim como o desejado caminho para o sul em direcção aos Balcãs foram frustrados, o que abriu caminho para o conflito com as próprias ambições territoriais japonesas no continente asiático. A guerra começou em 1904 com um ataque de surpresa à frota russa em Port Arthur, o que incapacitou a marinha russa no leste. A Frota Báltica Russa tentou cruzar o mundo para contrabalançar o poder no leste, mas depois de vários percalços no caminho, foi aniquilada pelos japoneses na Batalha de Tsushima. Em terra, o exército russo foi prejudicado por uma administração ineficiente e pelo problema de se conduzir uma guerra. Enquanto comandantes e suprimentos chegavam de São Petersburgo, combates tomavam lugar nos postos do leste asiático, somente com a ferrovia Transiberiana para transportar suprimentos a lugares distantes. Os seis mil trilhos entre São Petersburgo e Port Arthur tinham somente um caminho com nenhuma trilha ao redor do lago Baikal,fazendo lentas mobilizações, e transformando a guerra num fiasco logístico. A guerra acabou com as defesas russas com a queda de Port Arthur em 1905, e acertos das desavenças de ambos os países no Tratado de Portsmouth.
A postura de Nicolau na guerra foi algo que frustrou muitos. Nicolau olhou para a guerra com confiança e viu nela uma oportunidade de levantar a moral e o patriotismo russos, prestando pouca atenção às finanças de uma guerra distante. Pouco antes do ataque japonês em Port Arthur, Nicolau agarrava-se na crença de que não haveria guerra. Ele sentia que era o seu poder divino de governar e proteger a Rússia, e que uma guerra contra o Japão poderia simplesmente não acontecer. A despeito dos ataques na guerra e das várias derrotas que a Rússia sofreu, Nicolau ainda acreditava, e esperava uma vitória final. Muitas pessoas tomavam a sua confiança e teimosia como indiferença; acreditando que ele era completamente intransigente. Como a Rússia continuou a ser derrotada pelos japoneses, o pedido de paz surgiu. Apesar dos esforços de paz, Nicolau permaneceu evasivo. Não foi antes de 27-28 de Março e da aniquilação da frota russa pelos japoneses, que Nicolau se decidiu a seguir pela paz.
Com a derrota da Rússia por um poder não-ocidental, o prestígio do governo e autoridade do império autocrata decaiu significativamente. A derrota foi um violento golpe e o governo imperial entrou em colapso, com o rebentar revolucionário de 1905-1906. Muitos manifestantes foram fuzilados em frente do Palácio de Inverno; e o tio do imperador, o grão-duque Sérgio foi morto por uma bomba atirada por um revolucionário quando deixava o Kremlin.
A frota do mar Negro amotinou-se, e uma greve ferroviária desenvolveu-se numa greve geral que paralisou o país. Nicolau, que foi surpreendido por esses eventos, misturou a sua raiva com a perplexidade e escreveu à mãe após meses de desordem:
“ "Deixa-me doente ouvir as notícias! Greves em escolas, polícias, soldados e cossacos assassinados, tumultos, desordens, amotinações. Mas os Ministros, ao invés de tomarem uma decisão rápida, somente se reúnem em conselhos como um bando de galinhas assustadas e cacarejam sobre providenciar uma unida acção ministerial…" ”
No sábado, 21 de Janeiro de 1905 (8 de Janeiro de acordo com o calendário gregoriano), George Gapon, um padre ligado à polícia, informou o governo que uma marcha aconteceria no dia seguinte e pediu para o czar estar presente para receber uma petição. Os ministros rapidamente se encontraram para discutir o problema. Nunca se pensou em pedir ao czar, que estava em Tsarskoye Selo que não foi informado nem da marcha, nem da petição, para receber Gapon. A sugestão de qualquer outro membro da família imperial receber a petição foi rejeitada. Por fim, informado pelo prefeito da polícia de que precisava de homens para arrancar Gapon aos seus partidários e para o prenderem, o recentemente nomeado Ministro do Interior, o príncipe Sviatopolk-Mirsky e os seus colegas não se lembraram de outra coisa senão de trazer tropas adicionais para a cidade e esperar que as coisas não saíssem do seu controle. Nessa noite, Nicolau ficou a saber pela primeira vez, por Mirsky o que poderia acontecer no dia seguinte. Ele escreveu no seu diário: "Vieram tropas de fora da cidade para reforçar a guarnição. Até agora, os operários têm-se mantido calmos. O seu número deve andar à volta de 120.000.
Encabeçando-os encontra-se uma espécie de sacerdote socialista chamado Gapon. Mirsky veio aqui esta noite para apresentar o relatório das medidas tomadas."
No domingo, 22 de Janeiro de 1905, Gapon iniciou a sua marcha sob um vento gelado e rajadas de neve. Nos bairros operários formaram-se cortejos que convergiram para o centro da cidade.
Deixando as armas fechadas em casa, os manifestantes caminharam pacificamente através das ruas. Alguns transportavam cruzes, ícones e estandartes religiosos, outros bandeiras nacionais e retratos do czar. Enquanto caminhavam cantavam hinos religiosos e o Hino Imperial Deus Salve o Czar. Os diversos cortejos deviam chegar ao Palácio de Inverno às duas da tarde. Não havia qualquer confrontação com as tropas. Através da cidade, nas pontes e avenidas estratégicas, os manifestantes encontraram o caminho bloqueado em linhas de infantaria, reforçada por cossacos e hussardos; e os soldados abriram fogo contra a multidão. O número oficial de vítimas foi 92 mortos e várias centenas de feridos. Gapon desapareceu e outros chefes da marcha foram apanhados. Expulsos da capital, circularam através de todo o império exagerando as baixas para milhares. Esse dia, que ficou conhecido como "Domingo Sangrento", foi um ponto decisivo da história russa. Destruiu a crença antiga e lendária de que o czar e o povo formavam um só corpo. Enquanto as balas despedaçavam os seus ícones, as suas bandeiras e os seus retratos de Nicolau, o povo gritava: "O czar não nos ajuda!".
Fora da Rússia, aquela acção desajeitada pareceu uma crueldade premeditada, e Ramsay MacDonald, futuro primeiro-ministro Trabalhista do Reino Unido, atacou o czar chamando-o de "uma criatura manchada de sangue e um vulgar assassino". Em Tsarskoye Selo, Nicolau ficou espantado quando soube o que tinha acontecido. Ele escreveu no seu diário: "Um dia doloroso.
Ocorreram desordens graves em Petersburgo quando os trabalhadores tentaram aproximar-se do Palácio de Inverno. As tropas foram obrigadas a abrir fogo em vários pontos da cidade e houve muitos mortos e feridos. Senhor, como tudo isto é triste e doloroso!". Do seu esconderijo, Gapon escreveu uma carta pública, acusando amargamente "Nicolau Romanov, antigo czar e presentemente assassino das almas do Império Russo: o sangue inocente de operários, das suas mulheres e filhos ficará para sempre entre ti e o povo russo… Que todo o sangue que tenha de ser derramado caia sobre ti, carrasco! Peço a todos os partidos socialistas da Rússia que cheguem a um acordo rápido entre si e iniciem a sublevação armada contra o czarismo." Mas a reputação de Gapon era duvidosa e os chefes do Partido Social-Revolucionário estavam convencidos de que ele ainda estava ligado à polícia. Condenaram-no à morte e o seu corpo foi encontrado enforcado na Finlândia, numa casa abandonada, em Abril de 1906.
Sob pressão do ensaio da Revolução Russa de 1905, a 5 de Agosto de 1905, o czar Nicolau II emitiu um manifesto sobre a convocação da Duma Estatal, inicialmente planejado para ser um órgão consultivo. O Ministro da Corte, Conde Fredericks comentou: "Os deputados dão-nos a impressão de um bando de criminosos que só estão à espera do sinal para se atirarem aos ministros e cortarem-lhes o pescoço." A imperatriz viúva Maria reparou no "ódio incompreensível" nos rostos dos deputados.
No Manifesto de Outubro, o czar prometeu introduzir liberdades civis básicas, proporcionadas por ampla participação da Duma Estatal, e favorecimento dela com controle e poder legislativo.
Contudo, determinado a preservar a "autocracia" mesmo no contexto de reforma, ele restringiu a autoridade da Duma de muitas maneiras. A relação de Nicolau com a Duma não era boa. A Primeira Duma, com a maioria de deputados do Partido Social-democrata, quase imediatamente entrou em conflito com ele. Mal os 524 membros tomaram os seus lugares na sala do Palácio Tauride, formularam logo uma "Alocução ao Trono", onde exigiam sufrágio universal, uma reforma agrária radical, libertação de todos os presos políticos e a substituição dos ministros nomeados por Nicolau por ministros aceites pela Duma. Apesar de Nicolau ter inicialmente um bom relacionamento com o relativamente liberal Primeiro-ministro Sergei Witte, Alexandra desconfiava dele (porque ele instigou uma investigação a Rasputin), e quando a situação política se deteriorou, Nicolau dissolveu a Duma. A Duma estava povoada com radicais, muitos deles queriam impulsionar legislações que aboliam a propriedade privada, entre outras coisas. Witte, inapto para segurar os aparentemente insuperáveis problemas de reforma da Rússia e da monarquia, escreveu a Nicolau a 14 de Abril de 1906 demitindo-se (contudo, outros relatos disseram que Witte foi forçado a demitir-se pelo imperador). Nicolau não foi ingrato a Witte e um decreto imperial foi publicado a 22 de Abril transformando Witte em cavaleiro da Ordem de Santo Alexandre Nevsky.
A Segunda Duma reuniu-se pela primeira vez em Fevereiro de 1907. Os partidos esquerdistas, incluindo o Social-Democrata e os Sociais-Revolucionários que tinham boicotado a Primeira Duma ganharam duzentos lugares na segunda, mais de um terço do total de membros. Novamente, Nicolau esperou impacientemente pela dissolução da Duma. Em duas cartas à mãe, deixou transparecer a sua amargura: "Uma deputação grotesca vem da Inglaterra (para ver os membros liberais da Duma). O tio Bertie informou-nos que lamenta muito, mas que não podia fazer nada para impedir a vinda deles. A famosa "liberdade", está claro. Como eles se enfureceriam se nós enviássemos uma deputação até junto dos irlandeses para desejar-lhes êxito na sua luta contra o governo."
Um pouco mais tarde, escreveu: "Tudo estaria bem se tudo o que se dissesse na Duma ficasse dentro das suas paredes. No entanto, todas as palavras pronunciadas aparecem nos jornais no dia seguinte, que são lidos avidamente por todas as pessoas. Em muitos pontos, a população está de novo desassossegada.
Recomeçam a falar das terras e aguardam o que Deus fará a esse respeito. Recebo telegramas de toda a parte, pedindo-me que ordene a dissolução, mas é ainda cedo demais para isso. Temos de os deixar fazer qualquer coisa manifestamente estúpida ou mesquinha, e depois – slap! Acaba-se com eles!"Depois que a Segunda Duma resultou em problemas similares, o novo primeiro-ministro Piotr Stolypin unilateralmente a dissolveu. Stolypin, um habilidoso político, tinha planos ambiciosos de reforma. Eles incluíam fazer empréstimos acessíveis para as classes baixas, capacitando-os para comprar terras, com o objectivo de formar uma classe rural leal à coroa. Contudo, quando a Duma se mostrava hostil, Stolypin não tinha escrúpulos em invocar o artigo 87 das Leis Fundamentais que davam ao czar a faculdade de emitir decretos de emergência "urgentes e extraordinários durante a suspensão da Duma Estatal.". O mais célebre acto legislativo de Stolypin, a transferência da propriedade rural, foi promulgada sob o artigo 87.
A Terceira Duma manteve-se um corpo independente. Desta vez contudo, os membros procediam cautelosamente. Em vez de atacarem o governo, opondo partidos no próprio seio, a Duma trabalhou para o desenvolvimento do seu corpo como conjunto. À maneira clássica do Parlamento do Reino Unido, a Duma impôs-se agarrando os cordões da bolsa nacional. A Duma tinha o direito de interrogar ministros à porta fechada, a respeito das despesas propostas. Estas secções, apoiadas por Stolypin, eram frutíferas para ambos os lados, e com o tempo, o antagonismo inicial foi substituído por respeito mútuo. Mesmo na área sensível das despesas militares, em que o Manifesto de Outubro reservara claramente as decisões para o trono, começou a operar uma comissão da Duma. Composta de patriotas inflamados não menos ansiosos que Nicolau, de restaurar a honra caída das armas russas, a comissão Duma recomendava frequentemente despesas mesmo maiores do que as propostas.
Com o passar do tempo, Nicolau também começou a sentir confiança na Duma. Ele disse a Stolypin em 1909: "Não se pode acusar esta Duma de tentar apoderar-se do poder, e não é necessário discutir com ela." Infelizmente, os planos de Stolypin eram cortados por conservadores da corte. Reaccionários, como o príncipe Vladimir Orlov, não se cansavam de repetir ao czar que a própria existência da Duma era uma mancha na autocracia.
Stolypin, segredavam eles, era um traidor e um revolucionário dissimulado que conspirava com a Duma para roubar as prerrogativas concedidas ao czar por Deus. Também Witte se entregava a intrigas constantes com Stolypin. Embora Stolypin não tivesse nada a ver com a queda de Witte, o antigo Primeiro-ministro culpava o seu substituto por isso. Stolypin também irritara a imperatriz. Ele ordenou uma investigação sobre Rasputin e apresentou o seu relatório ao czar. Nicolau leu-o e não fez nada. Stolypin, então deu ordem a Rasputin para abandonar São Petersburgo. Alexandra protestou veementemente, mas Nicolau recusou anular a ordem do seu primeiro-ministro. Stolypin, entretanto começou a ficar cansado do peso do seu cargo.
Para um homem que preferia a acção clara e decidida, era frustrante trabalhar com um soberano que acreditava em fatalismo e misticismo. Como exemplo, Nicolau devolveu um dia um documento por assinar a Stolypin acompanhado da nota: "Apesar dos argumentos muito convincentes para se adoptar uma decisão positiva neste assunto, uma voz interior insiste cada vez mais comigo para que não assuma responsabilidades a esse respeito. Até aqui a minha consciência não me enganou. Por isso, tenciono seguir as sua directivas neste caso. Eu sei que você também acredita que "o coração de um czar está nas mãos de Deus". Que assim seja. Por todas as leis estabelecidas por mim, respondo perante Deus e estou pronto a responder em qualquer momento por esta decisão!"
Alexandra, acreditando que Stolypin queria tirar os laços dos quais a vida do filho dependia, odiava o primeiro-ministro. Em Março de 1911, Stolypin casualmente afirmou que não tinha mais a confiança imperial e pediu para o aliviar do seu cargo. Dois anos antes, quando ele aludira por acaso à sua demissão, Nicolau escreveu: "Não se trata de uma questão de confiança ou falta dela; é a minha vontade. Lembre-se que vivemos na Rússia e não no estrangeiro… e por isso não levarei em consideração a possibilidade de uma demissão."
Em 1912, foi eleita uma Quarta Duma com quase os mesmos membros da terceira. "A Duma começou cedo demais. Agora vai mais devagar, mas melhor. E é mais duradoura." Explicou Nicolau a Sir Bernard Pares.
A Primeira Guerra Mundial foi um completo desastre para a Rússia. No outono de 1916, o desespero da família Romanov chegou ao ponto do grão-duque Paulo Alexandrovich, irmão mais novo de Alexandre III e único tio vivo do czar ser delegado para pedir a Nicolau para outorgar uma constituição e um governo responsável com a Duma. Nicolau recusou severamente, repreendendo o tio por pedir-lhe para quebrar o seu juramento na coroação, de manter a autocracia intacta para os seus sucessores. Na Duma, a 2 de Dezembro de 1916, Purishkevich, um fervoroso patriota, monárquico e defensor da guerra, denunciou as "forças negras" que cercavam o trono, num discurso ensurdecedor, que durou duas horas e foi tumultuosamente aplaudido. Ele disse: "A revolução e um obscuro camponês governarão a Rússia daqui a pouco tempo."
A seguir ao assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono austro-húngaro por Gavrilo Princip, um membro da associação nacionalista sérvia conhecida como Mão Negra em Sarajevo a 28 de Junho de 1914, Nicolau vacilou no rumo que a Rússia tomaria. O rebentar da guerra não foi inevitável, mas líderes, diplomatas e alianças do século XIX, criaram um clima de um conflito em larga escala. A concepção de pan-eslavismo e etnia aliaram o Império Russo e o Reino da Sérvia num tratado de protecção, e o Império Alemão e o Império Austro-Húngaro foram similarmente aliados. Conflitos territoriais entre a Alemanha e a França e entre a Áustria e a Sérvia, tiveram como consequência alianças feitas por toda a Europa. As alianças da Tríplice Aliança (França, Grã-Bretanha e Rússia) e da Tríplice Aliança (Alemanha, Áustria e, mais tarde, Itália) foram estabelecidas antes da guerra, mas eram somente compreendidas por líderes de governos aliados e foram mantidas secretas do grande público. O assassinato de Francisco Ferdinando levou um país para dentro do conflito com o outro, e cada um independentemente declarou guerra. Nicolau não queria nem abandonar a Sérvia ao ultimato da Áustria-Hungria, nem provocar uma guerra geral. Numa série de cartas trocadas com o kaiser Guilherme II (a chamada correspondência Willy-Nicky), os dois proclamaram o seu desejo pela paz, e cada um tentou fazer com que o outro recuasse. Nicolau tomou medidas externas a esse respeito, exigindo que a mobilização russa fosse somente contra a fronteira austríaca, com a esperança de prevenir uma guerra com o Império Alemão.
Os russos não tinham planos de contingência para uma mobilização parcial, e a 31 Julho de 1914, Nicolau deu o passo fatal de confirmar a ordem para uma mobilização geral. Nicolau foi fortemente aconselhado contra a mobilização das forças Russas, mas escolheu ignorar esse conselho. Ele pôs o exército russo em "alerta" a 25 de Julho. Embora isso não fosse uma mobilização, ameaçou as fronteiras alemãs e austríacas e pareceu uma declaração militar de guerra.
A 28 de Julho, a Áustria formalmente declarou guerra à Sérvia, levando a Rússia e a Alemanha a entrarem na guerra, como protectorados, e a França e a Grã-Bretanha como aliados russos. O conde Witte contou ao embaixador francês Paléologue, que no seu ponto de vista russo, a guerra era uma loucura, solidariedade eslava era simplesmente uma tolice e que a Rússia não poderia esperar nada da guerra.
A 31 de Julho, a Rússia completou a sua mobilização, mas ainda mantinha que não atacaria, se acordos de paz começassem. A Alemanha replicou, dizendo que a Rússia se deveria desmobilizar nas próximas doze horas.
Em São Petersburgo, às sete horas da noite, com um ultimato que a Rússia expirou, o embaixador alemão na Rússia, encontrou-se com o Ministro do Exterior russo Sérgio Sazonov, e perguntou três vezes se a Rússia não poderia reconsiderar, e então com um aperto de mãos entregou a nota que aceitava a disputa e a declaração de guerra.
O rebentar da guerra a 1 de Agosto de 1914 encontrou a Rússia excessivamente despreparada. A Rússia e os seus aliados colocaram a sua fé no exército, o famoso "pesado cilindro russo". A força antes da guerra era de 1.400.000; mobilizações acrescentaram 3.100.000 reservas e outros milhões estavam preparados atrás deles. Em qualquer outro respeito contudo, a Rússia estava despreparada para a guerra. A Alemanha tinha dez vezes mais ferrovias por milha quadrada, e enquanto os soldados russos viajavam uma média de 800 milhas (1.290 km) para alcançar a frente, os soldados alemães viajavam menos de um quarto dessa distância. As indústrias pesadas russas eram ainda muito pequenas para equipar as massivas armadas que o czar conseguia levantar e as suas reservas de munição eram lastimavelmente pequenas. Com o mar Báltico barrado pelos U-boats alemães e os Dardanellos pelas armas do anterior aliado, o Império Otomano, a Rússia conseguia receber ajuda somente via Archangel, que ficava solidamente congelado no inverno, ou Vladivostock, que estava a mais de 4.000 milhas da linha da frente. Além disso, o alto comando russo estava enfraquecido com o mútuo desdém entre Vladimir Sukhomlinov, o Ministro da Guerra e o formidável soldado gigante grão-duque Nicolau Nikolaevich, que comandava os exércitos no campo de batalha. A despeito de tudo isso, um imediato ataque foi ordenado contra a província alemã no leste prussiano. Os alemães mobilizaram-se com grande eficiência e derrotaram completamente os dois exércitos russos invasores. A Batalha de Tannenberg, onde uma armada russa inteira foi aniquilada lançou uma sombra assustadora sobre o futuro do império - os soldados leais que morreram eram necessários para a protecção da dinastia.
Mais tarde, os exércitos russos tiveram um moderado sucesso contra os exércitos austro-húngaros e contra as forças do Império Otomano. Contudo, isso nunca sucedeu contra as forças do exército alemão.
Gradualmente, uma guerra de desgastes foi estabelecida na vasta frente oriental, onde os russos estavam enfrentando as forças combinadas dos império Alemão e Austro-Húngaro, e sofreram perdas enormes. O general Denikin, regressando da Galícia, escreveu: "A artilharia pesada alemã varreu todas as linhas de trincheira, e os seus defensores. Nós fortemente respondemos. Não havia nada connosco com que pudéssemos ripostar. Os nossos regimentos completamente exaustos, estavam repelindo um ataque atrás do outro com baionetas.... O sangue corria interminantemente, as fileiras ficaram finas e finas e finas. O número de túmulos multiplicou." Nicolau Golovine, um antigo general do exército imperial estimou que 1.300.000 homens foram mortos em acção; 4.200.000 ficaram feridos, destes 350.000 morreram dos ferimentos mais tarde; e 2.400.000 foram feitos prisioneiros. O total é 7.900.000 - mais da metade dos 15.500.000 de homens que foram mobilizados. A 5 de Agosto com o exército em retirada, Varsóvia caiu. Derrotas na frente geraram desordens em casa. Primeiro, os alvos foram alemães e por três dias em Junho, lojas, padarias, fábricas, casas privadas e propriedades rurais pertencentes a pessoas com nomes alemães foram saqueadas e queimadas. Depois, as multidões inflamadas voltaram-se contra o governo, declarando que a imperatriz deveria ser fechada num convento, o czar deposto e Rasputin enforcado. O czar estava sem nenhum recurso surdo a esses descontentes. Uma secção de emergência na Duma foi exigida e um Conselho Especial de Defesa foi estabelecido, os seus membros dentre a Duma e os ministros do czar estavam indecisos.
Em Julho de 1915, o rei Cristiano X da Dinamarca, primo em primeiro grau do czar, enviou Hans Niels Andersen a Tsarskoye Selo com uma oferta de agir como mediador. Ele fez várias viagens entre Londres, Berlim e Petrogrado e em Julho, viu a imperatriz viúva Maria Feodorovna. Andersen disse a ela que eles concluiriam a paz. Nicolau escolheu recusar a oferta de mediação do rei Cristiano.
O vigoroso e eficiente general Alexei Polivanov substituiu Sukhomlinov como Ministro da Guerra. A situação não melhorou e o recuo contudo continuou. Nicolau encorajado por Alexandra e sentindo que era seu dever, e que a sua presença pessoal inspiraria as suas tropas, decidiu liderar o seu exército directamente, em oposição a conselhos contrários. Ele assumiu o cargo de comandante-chefe após a demissão do seu primo dessa posição, o altamente respeitado e experiente Nicolau Nikolaevich (Setembro de 1915) a seguir à perda do Reino da Polónia. Esse foi um erro fatal, e foi directamente associado ao comandante-chefe, bem como todas as perdas subsequentes. Nicolau estava também longe, no remoto quartel general em Mogilev, distante do governo directo do império, e quando a revolução rebentou em Petrogrado, estava inapto para evitá-la estando tão afastado do governo. Na realidade, o movimento foi em grande parte simbólico, uma vez que todas as decisões militares importantes eram feitas pelo seu Chefe do Estado-Maior o general Mikhail Alekseyev e Nicolau fez pouco mais do que rever tropas, inspeccionar hospitais nos campos de batalha e presidir a almoços militares.
A Duma ainda pedindo por reformas, e as intranquilidades políticas continuaram durante a guerra.
Isolado da opinião pública, Nicolau não conseguia ver que a dinastia estava em declínio. Com Nicolau na frente, as questões domésticas e o controle da capital, ficaram entregues à sua esposa Alexandra, no entanto, o relacionamento dela com Gregório Rasputin e a sua ascendência alemã promoveram o descrédito na autoridade da dinastia.
Alexandra não tinha experiência governativa e contratava ministros incompetentes prestando atenção apenas aos conselhos de Rasputin, o que fez com que o governo nunca fosse estável ou eficiente.
Nicolau foi repetidamente advertido sobre a destrutiva influência de Rasputin, mas falhou em afastá-lo. Nicolau recusou censurar a imprensa, e rumores selvagens e acusações sobre Alexandra e Rasputin apareciam quase diariamente. Alexandra foi até mesmo colocada sob acusações de traição, e de minar o governo devido às suas raízes alemãs.
Foi durante a guerra que São Petersburgo foi simbolicamente renomeada Petrogrado, o equivalente eslavo em resposta à crescente fobia aos alemães durante o tempo de guerra. A irritação com a falta de acção e o extremo dano que a influência de Rasputin estava fazendo aos esforços de guerra na Rússia e à monarquia, levou ao seu (Rasputin) assassinato por um grupo de nobres, liderados pelo príncipe Félix Yussupov e pelo grão-duque Dmitri Pavlovich, um primo do czar, a 16 de Dezembro de 1916.
O cada vez maior aumento da pobreza à medida que o governo fracassava em produzir abastecimentos, criou tumultos e rebeliões. Com Nicolau distante na frente em 1915, a autoridade entrou em colapso (a imperatriz Alexandra administrava o governo de São Petersburgo desde 1915), e São Petersburgo foi deixada nas mãos de grevistas, soldados e recrutas amotinados. Apesar dos esforços do embaixador britânico Sir George Buchanan de avisar o czar de que ele deveria conceder reformas constitucionais para defender-se da Revolução, Nicolau continuou permanecendo distante no quartel general (Stavka) a 400 milhas (600 km) de Mogilev, deixando a sua capital e a corte abertas às intrigas e insurreições.
Na primavera de 1917, a Rússia estava próxima do colapso total. O exército levou 15 milhões de homens das fazendas e os preços dos alimentos elevaram-se. Um ovo custava quatro vezes mais do que em 1914, manteiga cinco vezes mais. O inverno severo dividiu as ferrovias, sobrecarregadas com cargas de emergência de carvão e suprimentos, foi o golpe final.
A Rússia começou a guerra com 20.000 locomotivas; em 1917, 9.000 estavam em serviço, enquanto o número de vagões ferroviários em serviço diminuiu de 500.000 para 170.000. Em Fevereiro de 1917, 1.200 locomotivas arrebentaram a sua caldeira de vapor e aproximadamente 60.000 vagões foram imobilizados. Em Petrogrado, abastecimentos de farinha e combustível desapareceram. Foi decretada por Nicolau, a proibição de álcool durante a guerra em ordem de levantar o patriotismo e produtividade, mas em vez disso, danificou o tesouro e as finanças da guerra.
A 23 de Fevereiro de 1917 em Petrogrado, a combinação do inverno frio e severo aliado à intensa carência de alimentos, provocou que as pessoas quebrassem as janelas das lojas para conseguirem pão e outras necessidades. Nas ruas, bandeiras vermelhas apareceram e as multidões cantavam: "Abaixo a mulher alemã! Abaixo Protopopov! Abaixo a guerra!" . A polícia começou a atirar na população que incitava aos tumultos dos topos dos telhados. As tropas na capital eram pobremente motivadas e os seus oficiais não tinham razão para serem leais ao regime. Eles estavam irritados e cheios de fervor revolucionário e apoiaram a população. O gabinete do czar pediu a Nicolau para regressar à capital e oferecer a renúncia.
A 500 milhas de distância o czar, mal-informado por Protopopov de que a situação estava sob controle, ordenou que medidas firmes fossem tomadas contra os manifestantes. Para essa tarefa, a guarnição de Petrogrado era totalmente inadequada. A nata do antigo exército leal estava enterrada em sepulturas na Polónia e na Galícia.
Em Petrogrado, 170.000 recrutas, rapazes do interior ou homens idosos dos subúrbios das classes trabalhadoras, continuaram a manter controle sob o comando de oficiais feridos e inválidos da frente, e cadetes das academias militares. Muitas unidades, com falta de oficiais e rifles, nunca passaram por treinamento formal. O general Khabalov tentou pôr as instruções do czar em prática na manhã do domingo 11 de Março de 1917. A despeito de enormes cartazes ordenando ao povo para afastar-se das ruas, vastas multidões agruparam-se e foram somente dispersadas após 200 serem fuzilados, apesar de uma companhia do Regimento Volinsky atirar para o alto ao invés de atirar na multidão, e uma companhia dos Guardas de Pavlovsky atirar no oficial que deu o comando de abrir fogo. Nicolau, informado da situação por Rodzianko ordenou reforços para a capital e a suspensão da Duma.
A 12 de Março, o Regimento Volinsky amotinou-se e foi rapidamente sucedido pelo Semonovsky, o Ismailovsky e até mesmo pela lendária Guarda Preobrajensky, o regimento mais antigo e leal fundado por Pedro, o Grande. O arsenal foi pilhado, o Ministério do Interior, o prédio do Governo Militar, o quartel-general da polícia, a Corte Judicial e um grupo de prédios policiais foram queimados. À tarde, a Fortaleza de Pedro e Paulo com a sua pesada artilharia, estava nas mãos dos insurgentes. Ao anoitecer, 60.000 soldados tinham-se juntado à revolução. A ordem quebrou e membros do parlamento (Duma) formaram um Governo Provisório para tentar restaurar a ordem, mas foi impossível alterar o curso da tendência revolucionária. A Duma e o Soviete já tinham formado os núcleos de um Governo Provisório e decidiram que Nicolau deveria abdicar. Encarando essa decisão, que era ecoada pelos seus generais, privado das tropas leais, com a sua família firmemente nas mãos do Governo Provisório e temeroso de expandir uma guerra civil e a abertura do caminho para uma conquista alemã, Nicolau não tinha outra escolha senão a de se submeter. No final da Revolução de Fevereiro de 1917, a 15 de Março (2 de Março de acordo com o calendário gregoriano) de 1917, Nicolau II foi forçado a abdicar. Ele inicialmente abdicou a favor do czarevich Alexei, mas rapidamente mudou de ideia depois do conselho dos médicos de que o herdeiro não viveria muito tempo longe dos pais, que poderiam ser forçados a irem para o exílio. Nicolau redigiu um novo manifesto, nomeando o seu irmão, o grão-duque Miguel, como o próximo Imperador de Todas as Rússias. Ele emitiu o seguinte manifesto (que foi suprimido pelo Governo Provisório):
“ Neste tempo de grande luta contra o inimigo externo que já há quase três anos tenta escravizar a nossa pátria, o Senhor Deus julgou por bem enviar à Rússia nova provação. Revoltas populares internas ameaçam reflectir calamitosamente na conduta de uma guerra que continua. O destino da Rússia, a honra do Exército heróico, o bem do povo, todo o futuro da nossa querida pátria, exigem que saiamos vitoriosos desta guerra a qualquer custo. Nestes dias decisivos para a vida da Rússia, julgamos uma questão de consciência facilitar para o nosso povo, a união e a formação das fileiras de forças populares ao redor desse objectivo, que é uma rápida vitória, e assim, de acordo com a Duma, reconhecemos a necessidade de abdicarmos do trono do Estado russo e nos desembaraçarmos do poder supremo. Não desejando a separação do nosso amado filho, transferimos o legado para o nosso irmão, grão-duque Miguel Alexandrovich e o abençoamos na sua ascensão ao trono do Estado russo. Recomendamos ao nosso irmão que governe em união plena e inviolável com os representantes do povo, de acordo com os princípios que serão estabelecidos. Que o Senhor salve a Rússia. “
Tudo indica que Nicolau abdicou por motivos patrióticos, convencido pelos generais de que tal atitude era indispensável para manter a Rússia na guerra e garantir a vitória. Se a sua primeira preocupação tivesse sido a manutenção do poder, ele teria assinado a paz com a Alemanha - como Lenine um ano depois - e lançado as tropas contra os amotinados em Petrogrado e Moscou.
O grão-duque Miguel negou aceitar o trono até que o povo fosse permitido a votar através de uma assembleia constituinte para a continuação da monarquia ou de uma república. A abdicação de Nicolau II e a subsequente revolução bolchevique levou ao fim três séculos do governo da dinastia Romanov. Também abriu caminho para a massiva destruição da cultura da Rússia, com o fechamento e demolição de várias igrejas e mosteiros; roubo de objectos valiosos e bens da antiga aristocracia e classes ricas; e a supressão de formas de arte religiosas e folclóricas.
A queda da autocracia czarista causou alegria aos liberais e socialistas na Grã-Bretanha e em França e tornou possível aos Estados Unidos, o primeiro governo estrangeiro a reconhecer o Governo Provisório, a entrar na guerra em Abril, lutando por uma aliança de democracias contra uma aliança de impérios. Na Rússia, o anúncio da abdicação do czar, foi recebido com muitas emoções, incluindo alegria, alívio, medo, raiva e confusão.
A 3 de Abril de 1917, o novo governador Alexander Kerensky decidiu visitar a família imperial, que estava presa em Tsarskoye Selo. Kerensky admitiu o seu extremo nervosismo:
“ Para ser franco, eu estava tudo menos calmo antes do primeiro encontro com Nicolau II. Muitas coisas duras e terríveis foram associadas no passado ao seu nome… Em todo o caminho à frente do corredor sem fim, eu estava lutando para controlar as minhas emoções… [entrando no quarto]… os meus sentimentos mudaram como um relâmpago… A família imperial… estava de pé… perto da janela, ao redor de uma pequena mesa, num pequeno grupo amontoado e perplexo. Desse grupo de humanidade amedrontada, saiu um pouco para fora, hesitantemente, um homem de altura mediana num uniforme militar, que andou à frente para me receber com um sorriso leve e peculiar. Era o imperador… Ele parou em confusão. Não sabia o que fazer, não sabia como eu agiria, qual a atitude que eu adoptaria. Deveria andar adiante para me receber como anfitrião, ou esperar para eu falar primeiro? Deveria estender a mão? Num relampejo, soube exactamente a exacta posição: a confusão da família, o seu medo de se encontrarem sozinhos com um revolucionário, cujo propósito desse rápido encontro desconheciam. Respondendo com um sorriso, andei rapidamente em direcção ao imperador, apertei as suas mãos e disse claramente: 'Kerensky'- como eu sempre faço como apresentação… Nicolau II apertou com firmeza minhas mãos, recuperando-se imediatamente da sua confusão, e sorrindo mais uma vez guiou-me até à família. “
À medida que o tempo passava, Kerensky continuou a visitar a família, e o relacionamento entre o ministro socialista e o soberano deposto e sua mulher melhorou nitidamente.
A 25 de Abril, Kerensky confessou, que durante essas semanas, começou a sentir afecto pelas "maneiras modestas e completa ausência de pose [de Nicolau]. Talvez, fosse essa simplicidade sincera e natural que dava ao imperador a fascinação peculiar, o charme que era reforçado ainda mais pelos seus olhos maravilhosos, profundos e tristes. Não pode ser dito que as minhas conversas com o czar se deviam a um desejo especial dele; ele era obrigado a ver-me… ainda assim, o antigo czar nunca perdeu o seu equilíbrio, nunca falhou em agir como um homem cortês." Da sua parte Nicolau declarou: "Ele [Kerensky] é um homem que ama a Rússia, e eu gostaria de tê-lo conhecido mais cedo, porque ele teria sido útil para mim.
Em Agosto de 1917, o governo de Kerensky evacuou os Romanovs para Tobolsk nos montes Urais, alegando que isso os protegeria do crescente fluxo da revolução. Lá eles viveram na antiga Mansão do Governador com um considerável conforto. A 30 de Abril de 1918, eles foram transferidos para o seu destino final: a Casa Ipatiev em Ecaterimburgo.
Depois de os bolcheviques tomarem o poder em Outubro de 1917, as condições do seu aprisionamento tornaram-se estritas e a discussão de pôr Nicolau em julgamento ficou mais frequente. Nicolau seguiu os eventos da Revolução de Outubro com interesse, mas sem alarme. Ele continuou a subestimar a importância de Lenine, mas começou a sentir que a sua abdicação dera à Rússia mais prejuízos do que benefícios. Nesse meio tempo, ele e a família ocupavam-se em serem cordiais. A visão de Nicolau e da sua família começou a mudar as impressões até mesmo dos revolucionários endurecidos. Anatoly Yakimov, um membro dos guardas que foram capturados pelo Exército Branco disse:
“ Eu ainda tenho uma impressão deles que ficará para sempre na minha alma. O czar não era jovem, a sua barba já estava ficando grisalha… [Ele vestia] uma blusa de soldado com um cinto de oficial amarrado por uma fivela em volta da cintura. A fivela era amarela… a blusa era cáqui, a mesma cor das suas calças e das botas gastas. Os seus olhos eram bondosos, e ele tinha no geral, uma expressão benévola. Eu tinha a impressão de que ele era uma pessoa bondosa, simples, franca e tagarela. Às vezes eu sentia que ele falava comigo directamente. Ele olhava-nos como se tivesse gostado de falar connosco. A czarina não era nada como ele. Ela parecia severa e tinha as maneiras e aparência de uma mulher arrogante e zangada. Às vezes, tínhamos o hábito de discutir sobre eles entre nós e decidimos que ela era diferente e parecia exactamente como uma czarina. Ela parecia que era mais velha que o czar. Cabelos grisalhos eram claramente visíveis nas suas têmporas e o seu rosto não era o de uma mulher jovem. Todos os meus maus pensamentos sobre o czar desapareceram depois de ter permanecido um certo tempo entre os guardas. Depois de vê-los [o czar e a sua família] várias vezes, eu comecei a sentir algo inteiramente diferente em relação a eles; comecei a sentir pena deles. Pena deles como seres humanos. Estou falando com completa sinceridade. Pode acreditar ou não em mim, mas eu dizia a mim mesmo: "Eles que fujam… Alguma coisa deve ser feita para que eles fujam. “
Em Ecaterimburgo, o czar foi proibido de usar as dragonas e as sentinelas rabiscavam desenhos obscenos na parede para ofenderem as suas filhas. A 1 de Março de 1918, a família passou a comer rações dos soldados, o que significou a partida de dez criados devotados. A partir daí, manteiga e café foram considerados luxos. O que fez a família continuar foi a fé de que alguém os ajudaria.
Um anúncio oficial apareceu na imprensa nacional dois dias após a morte do czar e da sua família em Ecaterimburgo. Informava que o monarca tinha sido executado sob a ordem do Presidium do Soviete Regional dos Urais devido à pressão da aproximação da Legião Tcheca.
Embora o Soviete oficial tenha esclarecido que a responsabilidade da decisão era dos superiores locais do Soviete Regional dos Urais, Leon Trotsky no seu diário declarou que a execução aconteceu com a autoridade de Lenine e Sverdlov. A execução realizou-se na noite de 16 para 17 de Julho sob a liderança de Yakov Yurovsky e resultou na morte de Nicolau II, da sua esposa, das suas quatro filhas, do seu filho, do seu médico pessoal Eugene Botkin, da empregada da sua mulher Anna Demidova, do cozinheiro da família Ivan Kharitonov e do criado Alexei Trupp.
Nicolau foi o primeiro a morrer. Foi baleado múltiplas vezes na cabeça e no peito por Yurovsky. As últimas a morrer foram Anastásia, Tatiana, Olga e Maria, que foram golpeadas por baionetas. Elas usavam sob a roupa mais de 1,3 quilos de diamantes, o que lhes proporcionou uma protecção inicial às balas e baionetas.
Em Janeiro de 1998, foram encontrados os restos mortais escavados sob uma estrada de terra perto de Ecaterimburgo, em 1991 foram identificados como sendo de Nicolau II e sua família (excluindo uma das filhas e Alexei). As identificações feitas separadamente por cientistas russos, britânicos e americanos usando análises de DNA, concordaram e revelaram serem conclusivas. Em Abril de 2008, autoridades russas anunciaram que tinham encontrado dois esqueletos perdidos dos Romanovs perto de Ecaterimburgo e foi confirmado por testes de DNA que eles pertenciam a Alexei e a uma das suas irmãs. A 1 de Outubro de 2008, a Suprema Corte Russa determinou que o czar Nicolau II e sua família foram vítimas de repressão política e deveriam ser reabilitados.
Em 1981, a família foi canonizada pela Igreja Ortodoxa Russa no Exterior como Neomártires.
Em 2000, a Igreja Ortodoxa Russa, dentro da Rússia canonizou a família como Portadores da Paixão. De acordo com a declaração do sínodo de Moscovo, eles foram glorificados como santos pelas seguintes razões:
“ No último monarca Ortodoxo e membros da sua família, vemos pessoas que sinceramente aspiraram encarnar nas suas vidas, os comandos do Evangelho. No sofrimento suportado pela Família Real na prisão, com humildade, paciência e submissão, e nas suas mortes martirizadas em Ecaterimburgo na noite de 4/17 de Julho de 1918, foi revelada a luz da fé de Cristo, que vence o mal. “
Mesmo assim, a canonização de Nicolau foi controversa. A Igreja Ortodoxa Russa no Exterior ficou dividida sobre a questão em 1981, e alguns membros sugeriram que ele era um governante fraco que falhou em impedir a ascensão dos bolcheviques. Um padre salientou que o seu martírio na Igreja Ortodoxa Russa não teve nada relacionado com as suas acções pessoais, mas sim pelo motivo que foi morto.
A igreja dentro da Rússia rejeitou a classificação da família como neomártires por não terem morrido por causa da sua fé. Os líderes religiosos nas duas igrejas também tinham objecções quanto à canonização da família do czar pois a sua incompetência levou a uma revolução e ao sofrimento do seu povo, além de ter sido em parte o motivo do seu assassinato e do da sua família e pessoas que os acompanharam. Para os seus oponentes, o facto de que Nicolau era um homem gentil, bom marido ou um líder que mostrava genuína preocupação com o povo não o redimia da forma como governou enquanto esteve à frente da Rússia.
A 30 de Setembro de 2008, a Suprema Corte da Rússia reabilitou a família real russa e o czar Nicolau II, 90 anos após a sua morte. A Suprema Corte russa declarou que a sua execução foi ilegal e que a família real russa foi vítima de um crime.
Encontra-se sepultado na Catedral de Pedro e Paulo em São Petersburgo na Rússia.
Leonor Especial
Imagem

Responder