Os Idos de Março

Discussão geral sobre actualidades relacionadas com a monarquia.

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Os Idos de Março

Mensagem por Beladona »

Hoje dia 15 de Março, relembramos os Idos de Março na Roma de Júlio César

In diversas fontes da net

"Acautelai-vos com os Idos de Março avisara-o um adivinho, tempos atrás.

Mas Júlio César não dera nenhuma importância ao aviso, (naquela altura, os meses eram divididos em calendas, idos e nonas. Os Idos eram a 15 de Março, Maio, Julho e Outubro, nos restantes meses eram no dia 13).

Estava-se no ano 44 a.C., e os Idos tinham chegado. Na noite anterior César e a mulher, Calpúrnia, estiveram a jantar em casa de Emílio Lépido e durante o serão caí­ra a conversa sobre o género de morte que cada um desejaria para si e César dissera que gostaria que fosse rápida e inesperada. Tinha horror à  doença fí­sica, à fraqueza e ao desgaste do corpo e a epilepsia de que sofria.

Regressaram a casa, mas durante a noite, uma rajada de vento tinha escancarado as portas e as portadas das janelas, despertando César de um sono inquieto.

No dia seguinte, 15 de Março, havia uma reunião do Senado e César sentindo-se indisposto, estava hesitante entre ir ou ficar. Calpúrnia também estava inquieta, sonhara que abraçava um César moribundo!

Mas Décimo Bruto, um dos senadores que fora lá a casa para o acompanhar à reunião , troçando dessas superstições, convenceu-o a ir com ele. Sem fazer caso dos apelos da sua mulher, César respondeu-lhe: "Só se deve temer o próprio medo", e saiu.

A sessão do Senado que estava marcada para esse dia, no corredor anexo ao teatro de Pompeio, no Campo de Marte, destinava-se a determinar qual o tí­tulo que o ditador usaria ao assumir o comando das legiões romanas na guerra que se iria desencadear contra a Pérsia.

Mas os livros sibilinos, os livros sagrados que eram consultados em ocasiões muito especiais, tinham revelado que os Partos só seriam derrotados por um rei. E Roma era uma República.

E em Fevereiro, durante os festivais dos Lupercais, Marco António, o seu mais fiel amigo, tinha-lhe oferecido uma coroa, por entre os aplausos da multidão , que César recusou. A cena repetiu-se três vezes, e à terceira, o ditador ordenou que a coroa fosse entregue a Júpiter!

Para os sessenta ou oitenta conjurados, de que Décimo Bruto fazia parte, a República parecia perdida. César venceria de certeza a guerra. Era necessário agir, eliminar o ditador e fazer a República renascer.

No caminho para o Campo de Marte, César encontra de novo o adivinho e troçando dele, disse-lhe que os Idos de Março já tinham chegado, mas o outro responde-lhe que já tinham chegado e ainda não tinham acabado. Um pouco mais à frente, um cidadão com uma súplica e um rolo, aproxima-se dele, mas César entrega-o a um dos seus secretários, dizendo que o leria depois, sem imaginar que o rolo continha na realidade, toda a revelação da conjura, incluindo nomes e datas.

Entrou então na cúria, enquanto Marco António era retido cá fora por um dos conjurados, sob qualquer pretexto.

Conta Suetónio: "Quando ele se sentou, os conjurados puseram-se à sua volta como que em atitude de deferência e de repente Cimbro Tá­lio aproximou-se mais, como se quisesse pedir-lhe algo, e uma vez que César recusava e com o gesto mostrava querer adiar para mais tarde, agarrou-o pela toga, abanando-o pelos ombros. César gritou: Mas isto é violência! E então um deles atacou-o com um punhal, ferindo-o abaixo da garganta. César agarrou-lhe o braço, trespassou-o com o punhal e tentou escapar; mas um segundo golpe deteve-o. Como viu que estava a ser atacado por todos os lados pelos conjurados, com punhais desembainhados, entre eles estando Marco Bruto, envolveu a cabeça na toga puxando com a mão esquerda as pregas para baixo, para que caí­sse mais dignamente, com a parte inferior do corpo também tapada. E assim foi trespassado por vinte e três punhaladas, soltou um gemido, sem uma palavra, apenas disse a Marco Bruto quando este o atacou: Também tu, Brutos? Ficou algum tempo por terra inanimado, tendo fugido todos os conjurados. Por fim, três servos colocaram-no numa liteira ficando com um braço pendente e levaram-no para casa.

Quando Marco António conseguiu entrar na cúria, tudo estava terminado!
Leonor Especial

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