o que divide ...

Este espaço destina-se a  apresentação e debate sobre os movimentos político-monárquicos.

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Nuno Cardoso da Silva
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Mensagem por Nuno Cardoso da Silva »

A ideia de solicitar à Assembleia da República que determinasse quem deveria ser considerado como legítimo sucessor de D. Manuel II é interessante, mas peca por ineficácia, mesmo que ela estivesse disposta a desempenhar esse papel.

Com efeito, se a AR quisesse determinar o sucessor, só o poderia fazer em função de uma lei de sucessão , considerada válida. Ou seja, veria esta questão apenas do ponto de vista jurídico. Mas ela tem também uma componente política. De acordo com as leis tradicionais portuguesas, as Cortes podiam designar o Rei. Ou seja, podiam "eleger" Rei, tal como o fizeram em 1385, em 1580 (D. António), em 1641 e em 1828. Estaria a AR disposta a eleger o sucessor de D. Manuel II? E se o fizesse, com que critérios o faria? É que o nosso problema é o da vacatura do Trono, pelo que a mera aplicação das regras de sucessão não chega. Era preciso que o Povo português, através dos seus representantes, pudesse iniciar uma nova dinastia, ainda que ligada às anteriores.

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iznoguud
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Mensagem por iznoguud »

Nuno Cardoso da Silva Escreveu:A ideia de solicitar à Assembleia da República que determinasse quem deveria ser considerado como legítimo sucessor de D. Manuel II é interessante, mas peca por ineficácia, mesmo que ela estivesse disposta a desempenhar esse papel.
Daqui retiro que, apesar de o Prof. Cardoso da Silva considerar a minha sugestão irrealizável, que esta poderia ser trabalhada, nem que fosse em caso hipotético. Estarei errado?
Nuno Cardoso da Silva Escreveu:Com efeito, se a AR quisesse determinar o sucessor, só o poderia fazer em função de uma lei de sucessão , considerada válida.
Mas ao estarmos em Republica e estando esta "limitada", ou seja, impossibilitada de legislar relativamente a uma "temática" que lhe escapa à competência. Não estaria a mesma "obrigada" a se recorrer à Legislação competente da última Constituição Monárquica para a deliberação da mesma?
Nuno Cardoso da Silva Escreveu:Ou seja, veria esta questão apenas do ponto de vista jurídico. Mas ela tem também uma componente política. De acordo com as leis tradicionais portuguesas, as Cortes podiam designar o Rei. Ou seja, podiam "eleger" Rei, tal como o fizeram em 1385, em 1580 (D. António), em 1641 e em 1828.
Sendo então a justificação de cariz político, a razão pela qual se opta em 1640/41 pela instauração de uma nova Dinastia (a Bragantina) ao invés de se oferecer a Coroa aos descendentes de D. António o Prior do Crato.

Compreendo.

Mas igualmente estamos a falar de momentos na nossa História, os quais viviam situações políticas as quais não encontram paralelo nos dias de hoje devido à evolução de cariz político que aconteceu com o passar dos tempos.

Daí compreender as seguintes palavras do Prof. Cardoso da Silva.
Nuno Cardoso da Silva Escreveu:Estaria a AR disposta a eleger o sucessor de D. Manuel II? E se o fizesse, com que critérios o faria?
Aqui, para além dos Deputados Monárquicos e até dos simpatizantes da Monarquia, teríamos um razoável (maioritário?) de deputados que defenderiam a República.

Logo é de esperar que estes NÃO desejassem eleger o sucessor de D. Manuel II. MAS se a questão SE conseguisse colocar no Parlamento, os mesmos estariam "obrigados" a dar um SIM, NÃO ou quanto muito a se ABSTEREM. Sendo que competiria, creio eu, aos monárquicos o papel destes APENAS apresentarem para consideração AQUELES que fossem considerados enquanto APTOS para serem escolhidos pelos Deputados.

Estando assim, "forçados" a escolher de entre os candidatos, logo obtendo nem que fosse com 1 voto (e sabemos haver mais do que um deputado monárquico presentemente e descontando até aqueles que são simpatizantes da monarquia) uma decisão , fosse esta qual fosse.

Pergunto se esta "apologia" que acabei de expor viola, em algum sentido, a ideia daquilo que se pretende das Cortes?
Nuno Cardoso da Silva Escreveu:É que o nosso problema é o da vacatura do Trono, pelo que a mera aplicação das regras de sucessão não chega. Era preciso que o Povo português, através dos seus representantes, pudesse iniciar uma nova dinastia, ainda que ligada às anteriores.
Precisamente por isso, eu crer que ANTES de se apresentarem os "nomes" em questão ao Parlamento. Que os "Pretendentes" passassem quer por um "crivo" de Académicos os quais estudassem a validade das pretensões que existissem e se possível que após esta "depuração ", os Portugueses se pronunciassem de acordo com aqueles que estivessem disponíveis para que os Deputados ao tomarem uma decisão , a tomassem de acordo quer com as suas consciências, quer com aquele que aparentasse ser o desejo dos Portugueses aliado às capacidades pessoais de cada Pretendente.

Recorrendo ao termo evocado pelo nosso caro Nau. Talvez estejamos a "Presidencializar" um pouco aquele que seria o primeiro Rei de uma Nova Dinastia (no entanto olho bastante para o interregno de 1383-1385 enquanto exemplo a seguir), mas após a escolha daquele que fosse o primeiro Rei de uma Nova Dinastia, todo o processo de sucessão entraria em modo "normal" (a manter-se o que existia já , ou até a optar-se por um novo).

IzNoGuud

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Mensagem por nau »

PARTE – II

1. Como a Caríssima Beladona toma a peito, a Monarquia é uma instituição que se renova normalmente por via da geração : “Morreu o Rei. Viva o Rei!”. logo, temos rei de jure; pretendentes, é bom repetir, são aqueles que se julgam com direito a um Trono que não lhes foi legado. O último soberano reinante não teve descendência directa; o descendente directo do rei D. Miguel I assumiu a sua responsabilidade dinástica. Apenas as Cortes poderão aclamar ou derrogar o o presuntivo e ASSUMIDO herdeiro. Até lá, para os monárquicos esclarecidos, o rei de jure é D. Duarte Pio.
2. A Monarquia que almejamos para o Portugal de hoje assenta na Democracia real (aquela que, sem o artificialismo das élites de direita ou de esquerda, se constrói na comunidade para a Comunidade); o Governo e a Administração ao Povo pertence; o Rei é um dos símbolos da Comunidade, à semelhança do Hino e da Bandeira. A triologia dominante será a Liberdade, a Equidade e a Solidariedade, tendo por objectivo uma comuna (a mais singela que seja) de facto harmoniosa e feliz.
3. Os casos insistentemente focados por Nuno Cardosos da Silva (D. João I, D. João IV e quejandos) são produtos de factos políticos, isto é, excepções que confirmam a regra. D. Beatriz, Filipe III, D. Miguel I foram reis de jure e os dois últimos de facto. Interesses peculiares de ordem política impuseram soluções adversas: a conveniência burguesa opunha-se ao afastamento do centro do Poder para os lados remotos de Castela; o combate à sufocante hegemonia dos Reis Católicos de Espanha levou a conúbios espúrios de Cardeais de França com Protestantes de Leste e à suscitação de sentimentos independentistas na Península Ibérica, quer em Portugal, quer na Catalunha; o equilíbrio político na Europa após o vendaval napoleónico, obrigou ás habituais intervenções cirúrgicas dos parceiros do costume ... o “Povo” é a cor local dos diferentes projectos manipulados por terceiros. “Violar os direitos ancestrais dos portugueses” é uma tirada de efeito espectacular, mas nada tem que ver com a Monarquia na versão democrática que defendemos.
4. Vamos ser coerentes. Com base numa informação da Unicoop, há dois anos afirmei existirem em Portugal 4 000 cooperativas e o comentário mordaz de um interveniente neste espaço foi: “Que importância isso tem?”. Se tivermos presente que a formação de uma cooperativa só é possível com o número mínimo de cinco indivíduos teremos um total de 20 000 pessoas que, na hipótese destas terem apenas um membro da família indirectamente envolvido, representará um universo de 40 000 “educandos”. Em recentes eleições os monárquicos obtiveram cerca de 15 000 votos declarados. Alguns correlegionários nossos pretendem a formação de um partido monárquico – “Que importância isso tem?”.
5. Volto a sublinhar: a virtualidade da instituição monárquica reside no facto desta circunscrever os debates partidários, normais em qualquer democracia, ao espaço que lhe é próprio, isto é, no da gestão e administração dos bens comuns, que é um trabalho que todos dignifica e função a que nenhum membro da Comunidade se deverá eximir. Monarquia rima com Democracia, não apenas por uma consonância de palavras mas também pela articulação do consenso de geações com a dinâmica da Comunidade – correlação de forças em que a tradição e o futuro se harmonizam.
6. A insistência em partidarizar o topo da instituição não é uma questão democrática pelas razões e exemplos de todos nós conhecidos, mas um enviesamento da doutrina monárquica. Após a morte do último soberano reinante, apenas um membro da dinastia bragantina se assumiu como herdeiro da Coroa Portuguesa (há 77 longos anos!), afrontado por republicanos preconceituosos, monárquicos titubeantes e adeptos da Salazarquia que tudo fizeram para o manter refém dentro do seu próprio país, cerceando-lhe até os meios de subsistência! A lista das subscrições efectuadas pela calada entre os monárquicos para possibilitar uma estada condigna do Rei de Portugal eram transmitidas a Salazar com o pormenor dos nomes e montantes subscritos.
7. Nós, os cooperativistas, preocupamo-nos com os objectivos a que nos propomos no estrito respeito pelos princípios que nos orientam – a democracia e a solidariedade – na luta contra o capitalismo selvagem (mercados descontrolados), bem como contra o centralismo estatal (tecnocratas impúdicos). Somos monárquicos porque somos democratas e cooperativistas porque só através da acção concertada será possível o aumento de cidadãos criteriosos, logicamente monárquicos.
Saudações do cooperativista.

Nau

Nuno Cardoso da Silva
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Mensagem por Nuno Cardoso da Silva »

Encontrei na net a argumentação de Augusto Ferreira do Amaral sobre a legitimidade da sucessão de D. Duarte Pio. O seguinte ponto parece-me do maior interesse:

"A cisão que por cerca de século e meio dividiu os monárquicos (entre constitucionais e absolutistas) poderia levar a uma hesitação preliminar, na opção entre a Carta Constitucional e as Leis Fundamentais anteriores.

Não temos dúvidas, porém, em optar pela Carta.

Por várias razões. A mais decisiva é, como tem sido nossa orientação , partirmos do princípio de que, havendo que recorrer a preceitos escritos do tempo da Monarquia, importa preferir os que sejam mais próximos no tempo. E as normas legais que, na ordem jurídica portuguesa, ultimamente, até 5 de Outubro de 1910, regulavam a sucessão hereditária da chefia de Estado eram as da Carta Constitucional."


A questão é interessante porque as Leis Fundamentais e a Carta Constitucional divergem quanto à maneira de determinar a sucessão . E se divergem, qual é a mais válida? A Lei que vigorou durante pouco mais de 70 anos, ou a Lei que vigorou durante quase 700 anos? O direito escrito, produto de opções ideológicas do século XIX, ou o direito consuetudinário construído com base na experiência e vontade de quarenta gerações de portugueses? A Lei que foi discutida a ponto de gerar uma guerra civil, que os partidários da Carta só venceram com a ajuda estrangeira, ou a Lei que durante sete séculos nunca foi posta em causa? A Lei que ignora a vontade dos portugueses, ou a Lei que exige a consulta à vontade dos portugueses legitimamente representados em Cortes?

Para mim não há a menor dúvida de que são as regras de sucessão expressas nas nossas Leis Fundamentais que devem ser usadas, e não a caduca Carta Constitucional, produto da mente do primeiro imperador do Brasil. Diga Augusto Ferreira do Amaral o que disser, é o direito consuetudinário que tem a primazia. Porque expressa a vontade de quarenta gerações de portugueses, e porque é mais justa, mais correcta, mais respeitadora da nossa vontade colectiva.

nau
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O que divide

Mensagem por nau »

PARTE – IV

1. O princípio monárquico, por si só, não resolve os problemas da Comunidade, embora erradique as disputas sectárias no topo da instituição .
2. Por isso, é bom insistir na formação de cidadãos criteriosos através da prática cooperativa visto esta cultivar o diálogo, o estudo de soluções pragmáticas e adequadas à realidade portuguesa, fomentando consensos, consolidando responsabilidades.
3. Muito trabalho há para fazer: tomar consciência da democraticidade monárquica; desfazer preconceitos, simultaneamente alijando os D. Brúcio de Brebúcio e Iça de Porra Rastaparta e Chiça que se apegam ao movimento monárquico ridicularizando-o; pugnar para o alongamento da escolaridade obrigatória com um mínimo de qualidade; exigir a formação de técnicos (teoria e prática) que possam acorrer às necessidades do país, etc..
4. O impacto do avanço tecnológico é brutal e facilmemte adoptado por populações que chegam a dispensar o essencial em troca da última novidade ou obra faraónica que poderá hipotecar, ainda mais, o futuro.
5. O espírito empreendedor continuará a ser estimável, mas os super-herois das bandas desenhadas não terão qualquer significado nas Comunidades do futuro. O importante continuará a ser a comunidade que não os jogos de videirinhos sem objectivos claros e/ou alheados do bem comum.
6. Quando a transmissão linear da energia (vai assim para melhor compreensão ) for utilizada em pleno, e as rotas interplanetárias (massa/gravitação ) forem estabelecidas, a colonização de outros planetas será uma realidade, pela urgência de espaço vital, bem como de novas matérias-primas.
7. De momento não é importante inventar a roda; ter visões de inéditos esquemas políticos (tão falíveis como a previsão dos ciclos económicos). Basta apostar na formação de cidadãos criteriosos, logicamente monárquicos, que poderão emergir de uma bem preparada experiência cooperativista.
Saudações da praxe.

Nau

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iznoguud
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Mensagem por iznoguud »

Augusto Ferreira do Amaral Escreveu:A cisão que por cerca de século e meio dividiu os monárquicos (entre constitucionais e absolutistas) poderia levar a uma hesitação preliminar, na opção entre a Carta Constitucional e as Leis Fundamentais anteriores.

Não temos dúvidas, porém, em optar pela Carta.

Por várias razões. A mais decisiva é, como tem sido nossa orientação , partirmos do princípio de que, havendo que recorrer a preceitos escritos do tempo da Monarquia, importa preferir os que sejam mais próximos no tempo. E as normas legais que, na ordem jurídica portuguesa, ultimamente, até 5 de Outubro de 1910, regulavam a sucessão hereditária da chefia de Estado eram as da Carta Constitucional.
Nuno Cardoso da Silva Escreveu:A questão é interessante porque as Leis Fundamentais e a Carta Constitucional divergem quanto à maneira de determinar a sucessão . E se divergem, qual é a mais válida? A Lei que vigorou durante pouco mais de 70 anos, ou a Lei que vigorou durante quase 700 anos? O direito escrito, produto de opções ideológicas do século XIX, ou o direito consuetudinário construído com base na experiência e vontade de quarenta gerações de portugueses? A Lei que foi discutida a ponto de gerar uma guerra civil, que os partidários da Carta só venceram com a ajuda estrangeira, ou a Lei que durante sete séculos nunca foi posta em causa? A Lei que ignora a vontade dos portugueses, ou a Lei que exige a consulta à vontade dos portugueses legitimamente representados em Cortes?
Acho interessantes AMBAS as opiniões, uma vez que quanto a mim AMBAS optam por uma visão , descurando outra.

Porque não optar por AMBAS as situações, entrarão estas com conflicto?

O Dr. Ferreira do Amaral indica que A recorrer-se a Leis Monárquicas, teriam de ser aquelas em vigor no dia 4 de Outubro de 1910.

Concordo plenamente com esta afirmação .

Mas nesse caso, levanta-se-me uma pergunta.
Segundo esta mesma razão de ser, a Linhagem correspondente ao Sr. D. Duarte Nuno estaria ainda Banida, uma vez que não poderiam ser tomados em consideração quer Pactos como outras circunstâncias.

Estarei errado? Pois, por mais que se invoque... tanto quanto eu tenha conhecimento, até ao dia 4 de Outubro de 1910 a Descendência do Sr. D. Miguel esteve Banida de Portugal. Sendo inclusive conhecidos casos nos quais o Sr. D. Miguel (II) pedia para que fosse levantado o Banimento por forma a que estes pudessem regressar a Portugal e apoiarem el Rei D. Manuel II após o assassinato d'el Rei D. Carlos e do Príncipe Real D. Luís Filipe.


No entanto creio que esta abordagem, é algo... limitativa. Em especial quando tomamos em conta as "interferências" Republicanas. As quais, quanto a mim, terão de ser tomadas em consideração SE optarmos por procurar mudar o Regime com o consentimento desta última.

Já o Direito Consuetudinário de que o Prof. Cardoso da Silva fala.
Se tomarmos em consideração APENAS a opção do Prof. Cardoso da Silva, teremos que APENAS poderemos ter em conta as "Leis" "tradicionais" em vigor em Portugal aquando de uma Sucessão .

Ora... estas, de facto, implicam quer a realização de Cortes, quer a apreciação de aqueles que se apresentem enquanto Pretendentes. Existam, ou não , Pretendentes Presuntivos.

Refere-se que os casos onde o(a) Herdeiro(a) Presuntivo(a) não foram "escolhidos" resumem-se a excepções fomentadas por uma qualquer especificidade política da altura (tivesse esta o propósito de salvaguardar a Independência Nacional ou não ).
No entanto, não serão TODAS as situações de uma Sucessão NÃO linear, no fundo, situações de cariz político?


Reconheço que desta forma, a qual recorre à implantação da República para "remover" o entrave que é a Lei do Banimento.

Não esquecendo de que SE tal acontece, tal deve-se à visão de que a implementação de uma Constituição Republicana SUBSTITUI tudo aquilo que corresponderia às Constituições Monárquicas anteriores e não a uma questão de interesse, como pode parecer ao se ler as minhas palavras.

No entanto, o Pretendente Presuntivo, por mais de Jure que possa até ser. NUNCA poderá agir como algo mais do que um Pretendente até que lhe seja confirmado pelas Cortes ou seu equivalente esse mesmo estatuto (quanto muito creio que TODOS aceitarão um estatuto de "representação " da Família Real a este, a título "temporário").

Tudo muito bem... igualmente se consegue aceitar sem grande problema de maior.

No entanto, tal situação , tal como muito bem o meu caro Prof. Cardoso da Silva afirma. Desconsidera quer uma Guerra Civil e o propósito desta, independentemente da participação ou não de estrangeiros na mesma, ao mesmo tempo que passa com uma esponja por cima da Legislação que saiu da mesma.

A razão para tal opção reduz-se, muito simplesmente, ao conceito de "tradição ".

Pois bem... e o que É uma "tradição "? O que torna com que uma acção se transforme numa "tradição "?

Será preciso que a mesma ocorra... Duas vezes? Três ou Quatro? Que passem 50 anos, 100 ou 200 anos?

O Prof. Cardoso da Silva REJEITA a última Constituição Monárquica baseando-se no princípio de que esta representa APENAS cerca de 70 anos ao invés dos 700 anos dos "Direitos Fundamentais", ou seja do Direito Consuetudinário Português.

Eu creio que o Prof. Cardoso da Silva estará INCORRECTO na sua percepção .

1º Porque TUDO deve ser tomado em conta, uma vez que a partir do momento em que seja incorporado e ao mesmo tempo recorrente, pode passar a ser considerado enquanto uma "tradição ".

2º Porque as "tradições" por norma incorporadas sob a designação do Direito Consuetudinário não correspondem a algo "finito", mas sim a uma "colectânea" ao longo dos tempos. Logo incorporando quer a "Legislação " invocada, ou usada, por El Rei D. Afonso Henriques para que este pudesse reclamar/criar o Trono de Portugal. Somando a isto as razões para que D. Afonso III pudesse destituir El Rei D. Sancho II e por aí fora, passando por D. João I entre outros exemplos.

Logo é INCORRECTO, na minha opinião , querer "esquecer" os últimos anos da Monarquia, quando a estes corresponderam N Reinados, em especial se tomarmos em conta todos os Reis e Rainhas que reinaram desde a Rainha D. Maria II, inclusive. Ou seja 5 Soberanos, os quais com ou sem "mexidas" nas Leis da Sucessão e nas Constituições em vigor, as usaram atribuindo assim a estas o "título" de "tradição ". Isto, uma vez mais na minha opinião .

Assim e tomando em consideração AMBAS as opiniões, às quais eu dou razão (de parte a parte).

O que custaria muito de procurarmos equacionar um meio termo.
O qual procure juntar quer o Direito Consuetudinário, quer a Legislação Monárquica a reger a Sucessão a 4 de Outubro de 1910, quer as alterações implementadas pela República (com a revogação quer da Lei do Banimento, como da Lei da Proscrição ), as quais (uma vez mais na minha opinião ) teremos de tomar em conta SE é do nosso desejo o de mudarmos de Regime com o ACORDO da República (como será o caso SE avançarmos para o REFERENDO de que TODOS falam).

Deixo a minha opinião à consideração de TODOS.

IzNoGuud

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O que nos divide

Mensagem por nau »

PARTE – V

1. Como a Caríssima Beladona tem presente, nos estudos psicométricos não é a dimensão do cérebro que determina a qualidade do pensamento. Logo, a minha frequente referência às cabecinhas pensadoras vai no sentido destas serem incoerentes com as posições assumidas – Monarquia é a instituição política que obvia disputas no topo da instituição .
2. Presumir que serão de menoridade atitudes diferentes aos meus pontos de vista e que me deverei coibir de pugnar por aquilo em que acredito, é pouco caritativo. Já neste espaço me pediram sínteses onde são expectáveis meras opções! Apelos ao bom senso não são um insulto e a vitimização dos protestantes é o reduto da falta de argumentos.
3. Não me peçam que seja brando na defesa dos princípios que reputo essenciais para o bem da Comunidade dado que, para qualquer cooperativista, é o amplo consenso e a acção concertada para o bem comum que impera. Enleios intelectuais são o aprazimento dos empatas importunos. Abaixo transcrevo o parágrafo que me acabam de facultar de um recente livro do Professor Fernando Amaro Monteiro, protagonista do gorado levantamento militar de 1958-59 em conluio com o Dr. Francisco de Sousa Tavares.
4. “Basta ver hoje variados ‘blogs’ ditos monárquicos que há por essa Internet, com relevo para os casos de canalhice, de analfabetismo político ou de extravio no tempo” (...) “e concluo: essas excrescências vivem sempre movidas por um despeito qualquer; guardam a memória subconsciente de tudo que é velhaco; mas, exactamente como já há muito tempo atrás” (anos de 1950) “não aprenderam nada.
5. Nas “brincadeiras monárquicas” lá se vai avançando com as críticas do costume: se age é mau; se não age é mau. Só é bom conselheiro quem está de fora. Logo, devemos concluir que é aos monárquicos que cabe agir, defendendo a figura do Rei pois este, como símbolo da Comunidade, jamais deverá ser apodado das frustrações de uns, bem como dos desaires ou falta de bom senso de outros. O sentimento de culpa cristão está arreigado na gente lusa que, com certa leviandade, se apressa a apontar o dedo acusatório ao próximo.
6. A diatribe de Nuno Cardosos da Silva parte dos seguintes pressupostos:
a) Quebram-se as linhas sucessórias e temos vacatura, palavra já comentada em anterior apontamento. Interregno, para alguns, não tem qualquer significado.
b) “Direitos ancestrais dos portugueses” verificados na aclamação do rei que ora se pretende extensível à escolha do mesmo. Preceito nitidamente republicano.
c) A aclamação efectuadas há 77 anos, sem qualquer oposição e/ou alternativa, nada vale. O preceito “Morreu o Rei. Viva o Rei!” não tem qualquer significado
d) Proclama-se a Monarquia (porquê e por quem? Devem estar a reinar connosco!); depois escolhe-se o rei. Porém Monarquia é o sistema político que obvia disputas no topo da instituição pelo que o consenso de gerações é imperioso, sendo o preceito genealógico e a assumpção do presuntivo herdeiro imprescindíveis. Alternativa, apenas a República.
7. O Professor Catedrático Fernando Amaro Monteiro ...

Saudações do cooperativista,

Nau

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Mensagem por Beladona »

Caro Nau,

Tomo a liberdade de o alertar que suponho faltar a Parte III dos seus textos que tem tido a gentileza de aqui colocar e que logo que eu tenha mais disponibilidade tenho também a intenção de os comentar.

Com consideração .

Beladona

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Mensagem por nau »

PARTE – VI

1. A política é como o jogo de xadrez. No tabuleiro com 64 casas, movimenta, alternadamente, 16 peças cada jogador, num duelo em que as figuras (umas mais dispensáveis do que outras) vão sendo, estrategicamente, eliminadas, terminando a competição com o xeque-mate ao rei coarctado.
2. No dito jogo, também o peão poderá ser promovido a rei, mormente nas competições em que um dos jogadores se deixa surpreender, mas a opção poderá ser tomada por uma outra peça, não pelo facto da iniciativa partir de um republicano ferrenho, mas pela superior mobilidade das restantes figuras.
3. Como tenho sublinhado em anteriores apontamentos, o êxito de um princípio reside na sua utilidade e no sucesso que este proporciona. Logo, na movimentação das figuras do xadrez o objectivo é o xeque-mate ao rei do adversário, isto é, a vitória sobre as jogadas do parceiro.
4. Sem dúvida que, em qualquer jogada política, umas figuras são mais dispensáveis do que outras, mas todas essenciais de acordo com as regras estabelecidas, devendo o rei ser preservado de ataques coarctantes. Os republicanos mataram o Rei para impor a instituição política da sua preferência; os cripto-republicanos atacam o Rei para inviabilizar qualquer hipótese de restauração monárquica.
5. As regras vigentes são republicanas. Logo, a invocação do Estado de Direito para as jogadas políticas é absurda, porquanto este (o Estado de Direito) consiste num complexo de leis por natureza circunstanciais, mormente concertadas de acordo com a utilidade e o sucesso que as mesmas proporcionam à Comunidade.
6. O jogo de xadrez é ganho não pelo conhecimento profundo das imutáveis regras estabelecidas, mas pela experiência daquele que preserva o seu rei e dá xeque-mate ao adversário superando, na política, as figuras perniciosas dos hesitantes por natureza, os frustrados do costume, os ronhentos com proveitos inconfessáveis e os intelecualmente preguiçosos que, com certa relutância, se dão ao trabalho de aprofundar casos e coisas.
7. O importante é formar cidadãos criteriosos que tenham presente que todos são iguais perante a lei (embora uns sejam mais iguais do que outros, consoante o vil metal que possuem); o importante é agilizar o jogo democrático (deputados mais próximos dos votantes do que do partido); o importante é dialogar, fazer consensos, determinada e concertadamente construir, passo a passo, o futuro. Esta é a razão do meu cooperativismo de inspiração monárquica.

Saudações da praxe.

Nau

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iznoguud
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Mensagem por iznoguud »

Parte – I
Nau Escreveu:lamento mas já rasguei as fotocópias que me facultaram de Lisboa e não tenho presente onde os referidos textos foram repescados.
É uma pena que assim seja, uma vez que tal situação apenas empobrece o movimento monárquico, visto que para todos os efeitos não há ( já se vai tornando hábito no movimento monárquico) provas documentais dos mesmos textos.
Igualmente é curioso que estes Srs., dada a opção dos mesmos em participar activamente em espaços da internet, optem por nem apresentar os seus textos para comentário nos espaços onde participam, uma vez mais ajudando a empobrecer o movimento monárquico português.
Assim vai sendo dificil de debater, contrapor ou simplesmente de opinar relativamente a textos que, supostamente, existem e procuram demonstrar uma qualquer posição .
Nau Escreveu:Em suma: há indivíduos que se afirmam monárquicos por paradoxo; outros agem como republicanos por mero
preconceito. Ambos são como o planeta Terra nos pólos – iremediavelmente achatados.
Situação a qual não nos é possível de procurar atingir, uma vez que apenas estamos limitados à sua palavra. Uma vez que nos é vedada qualquer opção de por nós mesmos poder formular uma opinião quanto a esta questão .
Nau Escreveu:Não há dúvida que Democracia (Governo e Administração do Povo) é possível, quer nos regimenes monárquicos, quer nos regimenes republicanos; porém, nos
segundos, a figura sectária do chefe a prazo existe apenas para viciar o jogo democrático. Os doutrinadores republicanos, tendo-se apercebido desta falha, procuram
mitigar o problema através do “presidencialismo” que consiste em colocar o Governo na dependência total do Chefe de Estado, funcionando a minoria parlamentar
desafecta a este como contra-poder e, sempre que a insatisfação grassa, o Presidente demite o Governo (ou os ministros caídos em desgraça), nomeando um novo
Primeiro-Ministro, num arremedo de Monarquia Absoluta.
Concordo em parte.

A parte em que discordo sustenta-se no malfadado Rotativismo de que padeceu a Monarquia, onde ficou provado que sem uma profunda reestruturação política a qual coloque em destaque a necessidade dos políticos trabalharem em prol dos interesses Nacionais e não em prol dos interesses Partidários.
Essa reestruturação implicaria que Governos de Minoria, conseguiriam apresentar trabalho, uma vez que os políticos trabalhariam numa visão de "Salvação Nacional", salvaguardando o interesse Nacional e a forma democrática.
Ao invés dos Governos de Maioria, onde a visão se torna quase que "única", visto esta ser fruto de uma visão que desconta com as demais opiniões.
Nau Escreveu:Confesso não entender os valores humanos a que se refere dado que qualquer valor tem uma importância relativa e temporal: ontem os hereges eram queimados
para salvaguarda dos valores da Santa Madre Igreja; hoje a prática da eutanásia poderá ser considerada como crime; amanhã ... a fronteira entre valores (razão
accional útil) e princípios (axioma/regra/conceito útil) é muito ténue, mas talvez o exemplo possa melhor esclarecer a minha proposição : na comunidade primitiva a
prole era um valor estimável, permitindo o aumento da produção dos bens de consumo e o sustento dos seus membros; “não matarás” era um princípio para assegurar a
coesão na comunidade, obviando lutas fratricidas na mesma.
No entanto o meu caro agarra-se a valores "tradicionais" enquanto forma de justificar uma Monarquia, sem sequer equacionar que tanto esta quanto os valores que a justificam possam ter "evoluido" (aceito que tal conceito dependa da opinião de cada um) de acordo com a vontade/ensejo popular daqueles que representa.
Isto enquanto defende a relatividade dos demais valores.

Não se esqueça que SE a Monarquia fosse um conceito imutável, ainda hoje estas seriam APENAS absolutistas.
Nau Escreveu:5. Desde já lhe posso assegurar que ninguém se está borrifando para as normas e ancestrais leis “monárquicas “ portuguesas porquanto estas foram e são redigidas de
acordo com as necessidades do momento – não há leis eternas – e até as chamadas leis da natureza que regem a vida no planeta Terra são , sistematicamente, questionadas
pela teoria quântica. O princípio monárquico privilegia a hereditariedade por esta obviar disputas no topo da instituição . O herdeiro terá que se assumir como tal
conforme se verificou após a morte do último soberano reinante. Aduzir incompatibilidades para perseverar nas equações pessoais é, incoerentemente, denegar o
princípio avocado.
Ninguém, creio, coloca tal em causa. No entanto, por mais que a Monarquia privilegie a hereditariedade. O conceito de Monarquia "evoluiu" por forma a incorporar outras situações de entre as quais a, talvez, mais importante seja o "Estado de Direito" (enquanto resultado da vontade Popular saída de eleições, logo de um Estado Democrático).

Assim, presumir que uma qualquer Monarquia (moderna) possa, a qualquer momento da sua existência, contornar este "ditame". Corresponde, precisamente, a tornar a mesma (Monarquia) numa incoerência, logo tão passível de ser criticada quanto o é, hoje, a República (precisamente por tal situação de se ter IMPOSTO aos Portugueses, enquanto se arrola enquanto "Estado de Direito" (suportado por uma legitimidade Democrática resultado de eleições).

Nota: A existência de um herdeiro, implica uma CLARA sucessão . O que NÃO é o caso dado el Rei D. Manuel II ter falecido sem ter deixado um sucessor definido.
Nau Escreveu:7. Sem dúvida por distração , a Caríssima Beladona vai insistindo na vacatura do Trono, esquecendo-se que, na Monarquia, há sempre UM presuntivo herdeiro (mesmo quando
não assumido, como no caso da China) embora, por circunstâncias várias e habilidades políticas de alguns, possa não vir a ser reconhecido, expl.. D. Beatriz era a
legítima herdeira do rei D. Fernando que se esquecera de gerar outro filho que lhe pudesse suceder no Trono. A este periodo confuso da história pátria, com outros
pormenores de intriga política que não cito para não abusar da sua paciência, todos os historiadores são unânimes em chamar de interregno dado que a vacatura apenas
se verifica na instituição republicana, quando o chefe a prazo se encontra de saída e o substituto ainda está pendente do resultado das eleições em curso...
Não concordo. O que me leva, igualmente, para uma questão de gramática (onde esperarei por uma clarificação por aqueles com maiores conhecimentos de tal).

Primeiro, aquando da morte del Rei D. Fernando, a sucessão ESTAVA perfeitamente definida (na pessoa de D. Beatriz). No entanto o Povo (mesmo que sob a orientação política de terceiros) recusa-se a aceitar a D. Beatriz (recorrendo à questão da perda da nacionalidade, hoje completamente dismistificada).

Segundo, presentemente NÃO há uma sucessão definida. Sendo IMPERATIVA a "mediação " das Cortes, ou seu equivalente, por forma a resolver esta questão .

Aproveito agora para lançar a questão "gramatical".

Qual é a diferença entre um interregno e uma vacatura?

O meu caro Nau indica que a segunda será EXCLUSIVA da República. No entanto, nas minhas pesquisas NADA encontro que sustente tal posição .

Assim apresento as seguintes definições:

interregno
nome masculino
1. período em que não há rei hereditário ou electivo
2. figurado interrupção

(Do lat. interregnu-, «id.»)

vacatura
nome feminino

> vacância 1

(Do lat. vacátu-, «vago» +-ura)

vacância
nome feminino
1. tempo durante o qual um cargo ou emprego se encontra vago
2. DIREITO tempo que decorre entre a promulgação de um decreto ou de uma lei e a sua entrada em vigor

(Do lat. vacantìa, «id.», part. pres. neut. pl. de vacáre, «estar vazio; estar vago»)


Logo e se não estou em erro, AMBOS os casos podem ser usados relativamente ao presente caso.
No entanto lanço uma (outra) pergunta.

Pode-se aplicar o termo interregno ao período de tempo decorrente desde o falecimento de um Rei à aclamação de outro (penso concretamente no caso d'el Reis D. Carlos e D. Manuel II).
Enquanto que a vacatura se aplicaria ao tempo no qual NÃO haveria uma Sucessão clara e definida. Estarei errado quanto à aplicação destes termos?

PARTE – II
Nau Escreveu:1. Como a Caríssima Beladona toma a peito, a Monarquia é uma instituição que se renova normalmente por via da geração : “Morreu o Rei. Viva o Rei!”. logo, temos rei de
jure; pretendentes, é bom repetir, são aqueles que se julgam com direito a um Trono que não lhes foi legado. O último soberano reinante não teve descendência directa;
o descendente directo do rei D. Miguel I assumiu a sua responsabilidade dinástica. Apenas as Cortes poderão aclamar ou derrogar o o presuntivo e ASSUMIDO herdeiro.
Até lá, para os monárquicos esclarecidos, o rei de jure é D. Duarte Pio.
Incorrecto! A sua primeira afirmação IIMPLICA uma clara definição da sucessão , o que não é o caso. Logo não temos Rei de jure ao contrário do que afirma.
Como muito bem o meu caro indica, o último soberano reinante não deixou DESCENDÊNCIA DIRECTA.

Igualmente de forma correcta, é indicado que o DESCENDENTE DIRECTO de D. Miguel APRESENTA-SE (e não assume conforme é indicado) para assumir a responsabilidade dinástica deixada em aberto por el Rei D. Manuel II (e não a "sua", o que pode dar azo a outras interpretações).

Convém, no entanto, NÃO esquecer que pelas Leis (que regiam o Ramo reinante em Portugal) tal descendência (de D. Miguel) estava VEDADA de poder assumir tal responsabilidade.
Sendo que, tanto quanto tenho conhecimento, tal proibição APENAS é levantada (explicitamente) já sob a República.

Cabendo, precisamente por isso, às Cortes o papel de decidirem SE tal "oferta" por parte do descendente de D. Miguel pode, ou não , ser tida em conta. Logo aceite.
Nau Escreveu:3. Os casos insistentemente focados por Nuno Cardosos da Silva (D. João I, D. João IV e quejandos) são produtos de factos políticos, isto é, excepções que confirmam a
regra. D. Beatriz, Filipe III, D. Miguel I foram reis de jure e os dois últimos de facto. Interesses peculiares de ordem política impuseram soluções adversas: a
conveniência burguesa opunha-se ao afastamento do centro do Poder para os lados remotos de Castela; o combate à sufocante hegemonia dos Reis Católicos de Espanha
levou a conúbios espúrios de Cardeais de França com Protestantes de Leste e à suscitação de sentimentos independentistas na Península Ibérica, quer em Portugal, quer
na Catalunha; o equilíbrio político na Europa após o vendaval napoleónico, obrigou ás habituais intervenções cirúrgicas dos parceiros do costume ... o “Povo” é a cor
local dos diferentes projectos manipulados por terceiros. “Violar os direitos ancestrais dos portugueses” é uma tirada de efeito espectacular, mas nada tem que ver
com a Monarquia na versão democrática que defendemos.
Denoto, com agrado, que o meu caro partilha da minha opinião relativamente à diferença entre de jure e de facto, ao contrário do que dava a entender nos textos anteriores.

Igualmente denoto com interesse que para o meu caro são irrelevantes as questões políticas que dão origem a crises, as quais definem a Nação que somos hoje.

Sim, de facto tudo aquilo que o meu caro indicou ao nível histórico, corresponde à verdade. No entanto creio que o meu caro se esquece da componente Social a qual igualmente influência nestas situações.

- Assim SE o Povo (e em especial a Burguesia) optam por fazer frente a uma "União Política" com Castela. Esta só avança por ter encontrado ECO naquela que seria a "Jovem" Aristocracia Portuguesa (a qual, em boa parte até sem grandes prospectos de futuro), em contraponto com a "Velha" (e mui tradicional) Aristocracia Portuguesa a qual se mantém do lado da Rainha de Jure D. Beatriz (apenas recorro à semântica de quem aponta ao Sr. D. Duarte Pio desde já a Coroa e não apenas a Pretensão ou sequer a Sucessão Presuntiva).

- Da mesma forma, já em 1580, D. António o Prior do Crato não auferiu da mesma "benesse" que D. João I, tendo assim D. Filipe II de Espanha "varrido" a facção pró manutenção da nacionalidade (AQUI sim, tais receios ERAM justificados) e instaurado 60 anos de domínio Espanhol. Os quais não terminam em República, porque D. João IV se decide a avançar com a "traição " para com o "seu" Rei de Jure e de Facto D. Filipe III de Portugal. Contando para isso com o apoio (e vontade) Popular aliada à Aristocracia (que fomenta a Revolta e que sob os Filipes se via relegada para funções subalternas, cá estão mais uma vez as intererências Políticas).

Não esquecendo que esta Revolta esteve por um triz, dado o número de anos pelos quais a mesma se prolungou e dos recursos (Humanos, Económicos e Sociais) que consumiu.

- Já a questão de D. Miguel é interessantíssima. Uma vez que a mesma vem colocar em choque a defesa do mundo saído da Revolução Francesa com aquele anterior a esta.
O facto de desta se chegar a dar, tão tarde, em Portugal deve-se à ultra-periferia da Nação aliada ao posicionamento político de cada Infante (onde está então a tão apregoada isenção Monárquica?).
É certo que teremos sido meros "joguetes" nas mãos das Super-Potências da altura. Mas igualmente é certo que fomos NÓS os responsáveis de tal situação .

D. Miguel optou pelo Golpe-de-Estado, ao invés de se contentar em ser Rei Consorte. Terminou sendo expulso e a sua descendência BANIDA da Linha de Sucessão Portuguesa para além da corrente ideológica (Monárquica) que estes defendiam sido rejeitada pelos Portugueses.

Situação que se mantém até, se não estou em erro, até 1950 com a revogação EXPLÍCITA da Lei do Banimento.

A "questão " das tentativas de reaproximação , com a realização sucessiva de dois Pactos os quais transmitem textos substancialmente diferentes, APENAS deve ser visto dessa forma... enquanto uma tentativa de reaproximação entre ambos os Ramos. MAS mais nada do que isso dado a D. Manuel II NUNCA ter revogado explícitamente a Lei que impedia estes de regressarem a Portugal (conforme chegou a ser pedido pelos próprios).

O meu caro termina este ponto a indicar que nada (daquilo a que nos referimos) tem a ver com a, versão , da Monarquia Democrática que é defendida por si, entre outros aparentemente.
Mas! E qual É essa versão da Monarquia Democrática que é defendida? A versão da Monarquia dividida em "Comunas"?

A ideia "Comunal" que de forma insistente se me aflora ao pensamento, e acredito que esteja errado, atira-me consistentemente para uma imagem de uma Neo Albania sob um novo Enver Hoxha democratizado e muito comunal.
Apenas posso esperar estar errado de todo.

No entanto faço um mea culpa, pois sou o primeiro a indicar que é necessária uma reviravolta na forma como o "tecido" social se organiza. Sendo a proposta do Nau, nada mais do que uma opção possível.
Eu, pelo meu lado, prefiro optar SIMPLESMENTE por uma alteração COMPORTAMENTAL descartando a necessária reorientação económica que o modelo do Nau implicaria fazer.
Nau Escreveu:4. Vamos ser coerentes. Com base numa informação da Unicoop, há dois anos afirmei existirem em Portugal 4 000 cooperativas e o comentário mordaz de um interveniente
neste espaço foi: “Que importância isso tem?”. Se tivermos presente que a formação de uma cooperativa só é possível com o número mínimo de cinco indivíduos teremos um
total de 20 000 pessoas que, na hipótese destas terem apenas um membro da família indirectamente envolvido, representará um universo de 40 000 “educandos”. Em recentes
eleições os monárquicos obtiveram cerca de 15 000 votos declarados. Alguns correlegionários nossos pretendem a formação de um partido monárquico – “Que importância
isso tem?”.
Efectivamente volto a perguntar o que é que isso tem a ver com o caso?
Aquilo que denoto é que num Universo de 4 000 cooperativas, estas corresponderão a cerca de 40 000 "educandos" na visão do nosso caro Nau. Mas NADA indica que estes sejam ou possam ser Monárquicos!
Agora com os 15 000 votantes no PPM (e descontando as demais formações associadas à ideologia Monárquica), já podemos inferir que SE estes fossem membros de cooperativas teriamos (usando as mesmas relações apresentadas pelo nosso caro Nau), 1 500 cooperativas (monárquicas).

Não podemos julgar que ao defendermos um modelo cooperativista enquanto base social, que tal irá (automáticamente) tornar os cooperativistas em monárquicos!
O ser-se monárquico tem de "nascer" de uma vontade de adesão aos valores e ideários que regem uma Monarquia Moderna.
Nau Escreveu:5. Volto a sublinhar: a virtualidade da instituição monárquica reside no facto desta circunscrever os debates partidários, normais em qualquer democracia, ao espaço
que lhe é próprio, isto é, no da gestão e administração dos bens comuns, que é um trabalho que todos dignifica e função a que nenhum membro da Comunidade se deverá
eximir. Monarquia rima com Democracia, não apenas por uma consonância de palavras mas também pela articulação do consenso de geações com a dinâmica da Comunidade –
correlação de forças em que a tradição e o futuro se harmonizam.
A Instituição Monárquica defende o Regime (neste caso Monárquico), mas tal em nada elucida aos nossos leitores quanto aquilo que seria, ou deveria de ser, uma monarquia na sua visão política.
É lógico que temos de saber DISTINGUIR as coisas e que o REGIME não é o mesmo que o SISTEMA POLÍTICO que governaria em Monarquia.

No entanto, creio que é claro, que esta última visão DEVA ser debatida.
Pena é, no entanto, que alguns monarquicos INSISTAM em querer misturar a questão regimental com a do sistema político e ainda por cima CULPABILIZAR-NOS pela "salganhada" que os mesmos fazem ao serem incapazes de destrinçar uma situação da outra.
Nau Escreveu:6. A insistência em partidarizar o topo da instituição não é uma questão democrática pelas razões e exemplos de todos nós conhecidos, mas um enviesamento da doutrina
monárquica. Após a morte do último soberano reinante, apenas um membro da dinastia bragantina se assumiu como herdeiro da Coroa Portuguesa (há 77 longos anos!),
afrontado por republicanos preconceituosos, monárquicos titubeantes e adeptos da Salazarquia que tudo fizeram para o manter refém dentro do seu próprio país,
cerceando-lhe até os meios de subsistência! A lista das subscrições efectuadas pela calada entre os monárquicos para possibilitar uma estada condigna do Rei de
Portugal eram transmitidas a Salazar com o pormenor dos nomes e montantes subscritos.
Pela enésima vez NINGUÉM procura partidirizar a Chefia de Estado (à excepção talvez de alguns correlegionários do meu caro amigo).
A questão que se debate prende-se, quase que exclusivamente à questão de um de Jure e de um de Facto.

SE nós nos contentássemos com um de Facto, então NUNCA iríamos questionar a República! Mas no entanto esta é, de forma crescente, questionada.

Pelo mesmo princípio, como é que nós nos podemos CONTENTAR com um "Soberano" (na realidade apenas Pretendente) de Facto e esperar que os Portugueses, simplesmente, aceitem tal situação sem questionar a mesma?
Apenas estamos a dar armas aos defensores da República para quando o, mais que implícito, debate regimental acontecer no decurso de um referendo.
É, assim, IMPERATIVO munir-mo-nos de uma razão (mais forte), procurando converter o actual de Facto num de Jure inquestionável.

Todo o resto relativo ao Sr. D. Duarte Nuno, foram sentimentos que lhe ficaram muito bem mas que apenas atestam a sua ligação aos princípios democráticos com os quais TODOS nós desejamos que uma Monarquia se reveja.
Nau Escreveu:7. Nós, os cooperativistas, preocupamo-nos com os objectivos a que nos propomos no estrito respeito pelos princípios que nos orientam – a democracia e a
solidariedade – na luta contra o capitalismo selvagem (mercados descontrolados), bem como contra o centralismo estatal (tecnocratas impúdicos). Somos monárquicos
porque somos democratas e cooperativistas porque só através da acção concertada será possível o aumento de cidadãos criteriosos, logicamente monárquicos.
O meu caro faz, aqui, uma inferência NÃO provada.
São , no entanto, sentimentos que lhe ficam muito bem. Mas com pouco ou nenhum valor prático.

PARTE - III

Não existe, logo não pode ser comentada.

PARTE – IV
Nau Escreveu:1. O princípio monárquico, por si só, não resolve os problemas da Comunidade, embora erradique as disputas sectárias no topo da instituição .
Aleluia!
Nau Escreveu:2. Por isso, é bom insistir na formação de cidadãos criteriosos através da prática cooperativa visto esta cultivar o diálogo, o estudo de soluções pragmáticas e
adequadas à realidade portuguesa, fomentando consensos, consolidando responsabilidades.
Discordo de modelos educacionais os quais IMPONHAM uma visão enquanto "correcta" ou até como a "única" maneira de atingirmos o nosso objectivo.

Nós não estamos aqui a falar de matemática ou até a "encher chouriços"!
Estamos a debruçar-mo-nos sobre questões Sociais e Éticas.
Questões SUBJECTIVAS, as quais implicam um fornecimento de TODO o material disponível para consulta e depois ESPERAR por uma "faísca" de dúvida ou interesse. Por forma a que sejam ESTES a querer procurar a Monarquia e não ao contrário onde, aparentemente, apenas se está interessado em "normalizar" os Portugueses numa qualquer "chapa 4" e esperar que não existam muitos "bugs" de programação !
Nau Escreveu:3. Muito trabalho há para fazer: tomar consciência da democraticidade monárquica; desfazer preconceitos, simultaneamente alijando os D. Brúcio de Brebúcio e Iça de
Porra Rastaparta e Chiça que se apegam ao movimento monárquico ridicularizando-o; pugnar para o alongamento da escolaridade obrigatória com um mínimo de qualidade;
exigir a formação de técnicos (teoria e prática) que possam acorrer às necessidades do país, etc..
Felizmente TUDO valores com os quais o www.monarquicos.com SEMPRE se identificou e, creio ser notório, pelos quais tem procurado lutar.
Nau Escreveu:4. O impacto do avanço tecnológico é brutal e facilmemte adoptado por populações que chegam a dispensar o essencial em troca da última novidade ou obra faraónica que
poderá hipotecar, ainda mais, o futuro.
O que apenas demonstra a necessidade de uma reformulação da Base Social que rege a presente Sociedade.
Uma vez mais se tornou mais que notória a nossa imaturidade para lidar com o desenvolvimento tecnológico que entretanto tem acontecido.
Estamos ainda a lidar com uma forma de mentalidade associada a meados do século XX, e isto com sorte, enquanto que tecnológicamente estamos já com décadas de avanço tecnológico as quais necessitam de uma maturidade intelectual correspondente por forma a que a Sociedade não desmorone por si mesma.
Nau Escreveu:5. O espírito empreendedor continuará a ser estimável, mas os super-herois das bandas desenhadas não terão qualquer significado nas Comunidades do futuro. O
importante continuará a ser a comunidade que não os jogos de videirinhos sem objectivos claros e/ou alheados do bem comum.
Dispenso, a título pessoal, "credos" os quais procuram limitar a capacidade Humana de sonhar.
Nau Escreveu:7. De momento não é importante inventar a roda; ter visões de inéditos esquemas políticos (tão falíveis como a previsão dos ciclos económicos). Basta apostar na
formação de cidadãos criteriosos, logicamente monárquicos, que poderão emergir de uma bem preparada experiência cooperativista.
Infelizmente, creio que a nível Social. Estamos perante um novo "Beco sem Saída", o qual implica uma nova opção Social... logo, SIM é hora de reinventar a "Roda".

IzNoGuud

P.S. - As partes V e VI ficam para outra vez... e desde já , desculpem-me pela demora...
Última edição por iznoguud em 10 de fevereiro de 2010 às 20h25, editado 1 vez no total.

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