Com a devida vénia ao Diabo

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JTMB
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Com a devida vénia ao Diabo

Mensagem por JTMB »

O DIABO - Quais são os objectivos que presidem à criação do Instituto da De­mocracia Portuguesa?

MENDO CASTRO HENIR­QUES -Como tem saído a público, o IDP é um «think tank» que. está a crescer com associados em todo o País e que iniciaram um debate sem constrangimentos sobre que demo­cracia queremos e como podemos assegurar a independência nacional num mundo complexo. Vivemos um período crucial na construção da sociedade, em que varias revoluções silenciosas estão em curso. Portugal é uma realidade em todos os quadrantes do planeta, pelas suas comunidades portuguesas, pela presença dos seus empresários e pelos afectos trazidos pela lusofonia. Outros países da DE não têm essa sorte. Mas isto de sennos os maiores entre os mais pequenos, e os mais pequenos entre os maiores não é fácil. E por isso o IDP nasceu como um contributo da sociedade civil para apoiar a decisão do Estado; é isso que é hoje a democracia. E nós escolhemos participarna democracia através do debate sobre o território, um debate que não depende de Wa­shington nem de Bruxelas.
A ideia nasceu da onda de movimentos que surgiram contra a da construção do novo aeroporto da Ota e das implicações que isso pode ter no futuro do País a longo prazo?
É o inverso. Os movimentos contra o projecto de construção do «aeroporto da ata» e que tiveram um primeiro livro em «O erro da ata» é que nasceram das preocupações de muitos dos associados do IDP com a cultura estratégica resultante dos cursos de Defesa Nacional e da res­pectivaAssociação de Auditores bem como dos movimento de cidadania da «blogosfera». O que recusamos é a irónica situação de uma elite, em Lisboa mas proveniente do «Portugal profundo», que conhece as maiores dificuldades da interioridade, mas que está apostada na liquidação desse país. Estima-se que até 2015 grande parte da população portuguesa viva em duas grandes comunidades ur­banas, Lisboa e Porto a que se junta uma terceira Faro-Loulé-Albufeira. Dentro do nosso território verifica­mos a decadência da grande maioria dos concelhos de um interior a mais de 80-100km do litoral. Nós somos contra a fórmula do general Clausel das Invasões Francesas que afirmou «Portugal é Lisboa e o resto é pai­sagem» .

«Contribuir para a regeneração da vida política»


Há algum tipo de objectivos políticos com a criação do IDP?

Contribuir para a regeneração da vida política, com muita humil­dade mas com muita determinação . Achamos que pelo debate do orde­namento, dos bens naturais que são o nosso território, dos estuários, das serras e vias de navegação interior, as regiões e comunidades urbanas, e sobretudo as duas grandes áreas de vocação europeia e mundial que são Lisboa e o Porto necessitam de afirmar uma visão sobre os seus objectivos, sobre as suas capacidades e sobre as suas missões. Se isto é um objectivo político, é nosso. Não escondemos que existem no IDP numerosos monárquicos, sobretu­do entre os quadros jovens. Para alguns associados não é prioritária a questão do chefe de estado, uma vez garantida a democracia. Para outros é indiferente. Outros serão porventura contra. É como se hou­vesse uma saudável concorrência competitiva interna neste assunto. Mas é muito importante para a imagem da monarquia que os seus militantes estejam numa frente com objectivos práticos de cidadania… E por isso foi escolhido D. Duarte de Bragança como símbolo e presidente de honra da nossa associação .


Quais são as preocupações re­lativamente ao País que merecem a vossa atenção principal?

Se tivesse que ser uma só palavra, seria ordenamento. O País tem que ser tratado como um todo no que se refere à gestão das grandes infra­estruturas, como revela a imperiosa escolha do NAL. É para isso que o Estado unitário está vocacionado. Não é por acaso que os defensores da Ota são um «loby» regional enquanto os adversários vão do Algarve ao Minho. Depois, o País tem regiões que são unidades de cultura e serviços onde se continua a gerar a auto estima e os afectos que prendem as pessoas às raízes. O Alentejo, a Madeira, o Algarve, o Norte, as regiões em boa parte coincidentes com as 5 CCR’s e as Regiões Autónomas, têm iden­tidades que têm de ser valorizadas com missões específicas agricolas, comerciais e indústrias e de serviços. Existir é ser diferente. Finalmente existe uma terceira camada de ordena­mento que é a escala intermunicipal. É aqui que surge a importância das Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto, e todas as demais regiões natu­rais correspondentes a agrupamentos intermunicipais como exposto na chamada lei Relvas de 2003. São preocupações que vêm de trás com o arquitecto Ribeiro Teles e há uma nova geração no IDP que está a ac­tualizar essa mensagem.

Como avalia o País actualmen­te? Estamos melhor ou pior?


Estamos vivos! Mas estamos em risco de transformar um terço do País numa imensa Olivença, a zona dos projectos INTERREG! A democracia portuguesa está sendo corroída por fenómenos de pobreza e de exclusão que afastam as pessoas da participação na democracia, absor­vidas como estão na sobrevivência imediata, como tem repetido o dr. Femando Nobre. Em particular, a pobreza das regiões interiores é um novo factor a ser debatido no quadro do aperfeiçoamento democrático. Pobreza das regiões é adesertificação , o abandono dos serviços de apoio, a degradação dos serviços sociais, o fe­cho de infra-estruturas e um eventual enfraquecimento da representação parlamentar das zonas a mais de 100 km do litoral. Quase um terço do País está em riscos de abandono. É uma Olivença à escala do séc. XXI. Por isso, o IDP está a preparar «o novo mapa de Portugal». Não me refiro à execução de mapas geográficos, muito embora a definição de um País comece pela história e pela geografia. Refiro-me, sim, às iniciativas em que iremos promover a democracia por meio de uma visão abrangente do território, pondo a falar e a intervir as suas gentes, os seus empresários e as pessoas que passam 24 horas do dia pensando na sua região , integrada num País único que achamos que tem muito futuro.
Última edição por JTMB em 13 de dezembro de 2007 às 12h39, editado 1 vez no total.
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Pedro Reis
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Mensagem por Pedro Reis »

Não vá o Diabo tece-las.....

vm
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Mensagem por vm »

A questão do IDP é interessante. Por um lado apresenta D. Duarte como presidente de uma das suas estruturas, mas por outro não reconhece formalmente a preferência pela monarquia tendo inclusivamente vários republicanos ou indiferentes nas suas fileiras.
Por outro lado alguns dos apoios que recebe parecem-me ser mais fruto da posição face à Ota do que a outros dos projectos do IDP.
Fala-se de ordenamento, mas refere-se apenas Lisboa e Porto, quando por exemplo o eixo Coimbra-Aveiro se desenvolve a um ritmo verdadeiramente impressionante e a Universidade de Coimbra, considerada a melhor do país ainda recentemente, e a 3ª melhor do mundo lusófono é perfeitamente ignorada. Resta saber de onde virá o conhecimento e a ciência necessária a esse ordenamento cuidado e sistemático. Espero sinceramente que não da cabeça de pensadores que não têm o mínimo conhecimento dos aspectos práticos sobre os quais frequentemente opinam.
Chega-se mesmo ao cúmulo de referir todas as regiões menos o Centro, ou porventura o Centro e Norte são iguais na estrutura económica e cultural? No fundo 1/4 da população portuguesa e uma fatia importante de certos sectores localizados de forma especial no Centro ou Beiras, como rpeferirem, acabou de passar ao lado do IDP , pelo menos nesta entrevista...
Espero que o IDP tenha sucesso, parece-me um projecto interessante e é certo que tem as pessoas certas para o fazer vingar.
Mas voltando à questão monárquica, será este o novo modelo de intervenção dos monárquicos? Em organismos cuja orientação apesar de parecer monárquica não o é na prática? E se assim é, que vantages isso pode trazer para a Causa, para além de uma eventual visibilidade de D. Duarte (que neste caso em parece mais limitada a certos meios, ditos cultos).

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iznoguud
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Mensagem por iznoguud »

Só para destabilizar lol... eu realmente acho que precisamos de um novo aeroporto na área de Lisboa... embora defenda, como sempre defendi, a solução Portela + 1, com a Portela a servir as companhias de Bandeira e por conseguinte os passageiros que estejam dispostos a pagar para serem colocados em Lisboa e o +1 (aqui não tinha realmente preferência até à pouco tempo) a servir as Low Cost, que cada vez mais são e serão o grosso das transportadoras de turismo europeu.

Efectivamente, em relação a Coimbra e Braga, estas têm sido pólos de enorme importância para o desenvolvimento tecnológico nacional, sendo actualmente os "Silicon Valleys" nacionais.
Mas estes desenvolvimentos são fruto da boa coordenação e investimento efectuado pelas Universidades dessas cidades, que atraem população jovem e não têm medo de apostar numa educação de qualidade e estruturada. O que falta na maioria das demais.
Lembro-me das entrevistas a jovens empresários que estão sediados em Coimbra e com empresas dedicadas a determinadas especializações estão a ser envolvidas na área espacial tanto europeia quanto americana.

Eu sou contra Regionalizações, sou contra descentralizações feitas de forma absurda e sem razão prática de ser, sou contra mini Madeiras no continente... eu até sou contra as regiões autónomas no presente (e conheço as realidades das mesmas o suficiente para poder fazer esta afirmação ).
Por isso, olho com desconfiança a estas "reorganizações" do território... não lhes antevejo vantagens que não possam ser retiradas do actual contexto, desde que este seja colocado a funcionar como deveria e não como está... mas para isso é preciso reformar a função pública e a máquina do estado e não reorganizar o território...

Mas isto sou eu e sei que me encontro em minoria ;)

IzNo

vm
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Mensagem por vm »

O IDP, como é anunciado no seu site, começa a mostrar os seus verdadeiros intentos, depois de uma reunião com a Comissão Instaladora do Movimento Regiões Sim. Aparentemente querem retalhar o país e criar mais tachos para os boys.

De acordo com o IDP:

A Direcção do IDP reuniu no passado dia 13 de Dezembro com o Presidente da Comissão Instaladora do Movimento Regiões Sim!, o deputado Mendes Bota, ex-presidente da Câmara Municipal de Loulé. Foram abordados assuntos de ordenamento do território, verificando-se uma convergência nos temas da democracia regional. Prevê-se a realização conjunta de um seminário sobre este mesmo tema e a troca de informações de interesse entre ambas as entidades.

Agora o que pergunto é que relação existe entre Ordenamento do Território e Regionalização ?? Aliás a palavra diz tudo, 'regionalização ' implica o acto de regionalizar, de criar algo que não existe. E se calhar deveria continuar a não existir...
É muito interessante esta tendencia portuguesa de repetir referendos que correram mal, empurrando empurrando até dar o que se quer.

Sinceramente começo a ter dúvidas sobre o IDP...e acho estranho alguns dos seus membros estarem associados a um organismo que defende a regionalização , ainda por cima de forma encoberta...
Remeto aliás para um tópico no FDR em que essa discussão teve lugar.

E D. Duarte.... é também ele um regionalista? Alguém tem informação sobre este assunto ou pode esclarecer sobre os intentos do IDP e posição de D. Duarte sobre a matéria? Presumo que esta esteja publicada algures.

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Anjo de Sangue Azul
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Mensagem por Anjo de Sangue Azul »

vm Escreveu:E D. Duarte.... é também ele um regionalista?
Ouvi dizer que é verde...
vm Escreveu:Alguém tem informação sobre este assunto ou pode esclarecer sobre os intentos do IDP e posição de D. Duarte sobre a matéria?
No que refere ao IDP ... como dizia o tio Adolfo (Luxúria Canibal) : "Muita luz torna indistinto o que está bem evidente."
Ou seja: cheira-me a mini-lobbies.

Quanto a D. Duarte, a posição é de Presidente honorário do IDP... e já é muita areia...
Pie Jesu Domine, dona eis requiem.
Feliz aquele que pegar teus filhos e esmagá-los contra a pedra. (Salmos 137:9)

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