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Entrevista à Sra. Dra. Benedita Vasconcelos
Artigo em destaque! Entrevista à Sra. Dra. Benedita Vasconcelos
2014.03.20 06:14h
A Sra. Dra. Benedita Vasconcelos, uma advogada e conhecida republicana, defensora de uma visão de esquerda e ao mesmo tempo por todos reconhecida pela sua luta em defesa da instituição monárquica do seu ponto de vista legal, nomeadamente relativamente aos diferendos entre o Sr. D. Duarte Pio e o Sr. Rosário Poidimani.
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Aproveito assim para perguntar como é que no seu entender uma república é melhor que uma monarquia, se a sua opinião sobre o regime se estende ao cargo do Chefe de Estado e o porquê do seu interesse na defesa da instituição monárquica do seu ponto de vista legal conforme exposto atrás?


B.V. - Sou,  efectivamente, republicana convicta,  contrária a privilégios de nascimento,  dando, pois, prevalência ao  princípio da escolha democrática baseado na igualdade de todos os cidadãos e não a uma chefia do Estado  por via do sangue ou hereditária. Trata-se de uma questão de ideologia política, que poderíamos estar horas a discutir sem que nenhum de nós, de certeza, alterasse a sua posição. Contudo a  instituição monárquica faz parte do nosso património histórico e, como tal, há que preservá-la .


A Sra. Dra. Benedita Vasconcelos acha que a monarquia poderia ser uma alternativa à presente república e como espera que seria para si, viver sob uma monarquia se tal viesse a acontecer?


Sra. Dra. Benedita Vasconcelos na sua opinião o que falha hoje no presente regime e governação? Encontrará ecos de tais falhas reportando-se aos últimos dias da monarquia em Portugal?


Sra. Dra. Benedita Vasconcelos acha que a república se conseguirá regenerar? E o que precisaria de mudar, no seu entender, para que tal mais facilmente pudesse ocorrer?


B.V. - O que se passa hoje em Portugal é uma repetição do que se passou nos últimos anos da monarquia. Dois partidos alternando-se na governação, clientelismo, corrupção, falta de sentido de estado e, muito especialmente, falta de sentido do que é serviço público . Se lermos Eça ou as Farpas facilmente verificamos que os problemas são os mesmos, a massa humana não mudou . Tivemos uma bancarrota em 1891, acabada de pagar em 2001, passámos pelo Ultimatum inglês…agora estamos sob protectorado  económico.


Muito francamente não me parece que os problemas com que hoje em dia nos debatemos se resolvessem com uma mudança de regime, precisamos, sim, de uma mudança de mentalidades, de uma aposta na educação e, muito especialmente, na cultura , bem como do desenvolvimento de mecanismos que estimulem uma aproximação dos cidadãos ás instituições possibilitando, em todos os sectores, uma democracia mais participativa.


Saltando agora para a questão legal em torno da sucessão, questão que tanta tinta faz correr e que tanto parece interessar a muitos monárquicos. Permita-me que lhe pergunte como é que a Sra. Dra. Benedita Vasconcelos se envolveu nesta questão?


Onde se tem baseado na sua argumentação e como vê a argumentação dos filiados do Sr. Rosário Poidimani?


E já agora pergunto, se é fácil de se encontrar a documentação que sustenta a sua linha de argumentação?”


B.V. - No que respeita á questão da sucessão e ao caso Maria Pia/ Poidimani, a primeira vez que ouvi falar de Maria Pia foi  nos anos 80 ao Dr. Fernando Amaro Monteiro, que a considerava uma fraude completa, como se pode comprovar pela leitura do seu livro “Salazar e o Rei” e, posteriormente, li o que sobre ela escreveu o Dr. Mário Soares no “Portugal Amordaçado”.  Mas acabei a envolver-me, se assim se poderá chamar, através do Fórum do Geneall, onde o José António Travassos Valdez apareceu, sob pseudónimo, como é seu costume, empunhando uma pretensa sentença da Rota Romana que reconheceria Maria Pia como filha do Rei D. Carlos. A curiosidade levou-me a querer saber exactamente  o que dizia a sentença e constatei que a acção interposta por D. Duarte Nuno de Bragança para que fossem retiradas as referências á paternidade de Maria Pia do certificado de baptismo reconstruído fora, apenas, arquivada por se ter considerado que aquele não era parte legítima na acção por não ter interesse directo na mesma, sendo um parente distante do Rei D. Carlos e  por desta poder resultar perda de estado, com manifesto prejuízo para a ré Maria Pia , não obstante ter, o queixoso ou qualquer outro particular, o dever de denunciar os factos ás autoridades eclesiásticas caso fosse provado que o certificado de baptismo era falso ou continha indicações contrárias á lei. Significa isto que a Rota Romana não reconhece Maria Pia como filha de ninguém, não chega a apreciar a  matéria de facto e de direito, apenas arquiva liminarmente um processo! A partir daqui fui-me informando mais sobre o caso Maria Pia/Poidimani e verificando  que era uma história rocambolesca, habilmente manobrada por uma actriz  nata, mas baseada em perfeitas mentiras e não menos perfeitos delírios. Com o decorrer do tempo estes delírios foram aumentando, como se pode constatar vendo os vários vídeos em que defende os seus pretensos direitos e vai acrescentando novos factos, cada vez mais inverosímeis.


A ser filha do Rei D. Carlos, Maria Pia seria uma filha espúria, nascida durante o casamento do Rei com a Rainha D. Amélia, não podendo ser perfilhada, de acordo com o direito civil português e o direito canónico. A carta apresentada como de “legitimação” e que teria baseado o assento de baptismo não mereceu crédito á Academia Portuguesa de História nem ao Supremo Tribunal de Justiça. E mesmo que tivesse provado ser filha do Rei, como bastarda não poderia entrar na linha de sucessão já que havia descendentes legítimos de rei de Portugal. Em 4 de Outubro de 1910 vigorava a Carta Constitucional e a sucessão régia, de acordo com os artigos 87º e 88º da Carta, devia processar-se através dos descendentes legítimos de D. Maria II, passando depois aos colaterais.


Repare que Maria Pia nunca intentou em Portugal acção de investigação de paternidade, apenas recorreu á Justiça em 1982,, apresentando um pedido de restituição da propriedade privada real da Casa Real de Portugal, o qual foi rejeitado pelo Supremo Tribunal de Justiça  em 14 de Abril de 1983. O Tribunal em questão deliberou que Maria Pia de Saxe-Coburgo e Bragança não tinha provado a identidade do seu pai, apesar da apresentação do seu certificado de baptismo reconstruído e da pseudo perfilhação. Mais, decidiu que Maria Pia devia ser registada como tendo nascido em Lisboa de pais desconhecidos.


Se me pergunta a minha opinião pessoal, digo-lhe que a mesma vai no sentido de que Maria Pia não era filha do Rei D. Carlos, nunca este, como rei constitucional que era, de facto, teria actuado no sentido de contrariar a lei civil,  e aconselho vivamente a quem queira ter uma visão clara e imparcial desta questão a leitura de “Maria Pia a mulher que queria ser Rainha de Portugal”, de Jean Pailler.


E se o caso Maria Pia não tem a menor consistência de facto nem de Direito, que dizer, então do “cooptado” Rosario Poidimani e dos “Actos Soberanos” destinados a alterar a Carta Constitucional? Pura espiral delirante que não merece, sequer, uma análise séria! Trata-se de uma filha de pais incógnitos, de acordo com a jurisprudência do país da respectiva nacionalidade, que, em plena República, decide alterar uma constituição monárquica!


Rosario Poidimani arvorou-se em “Duque de Bragança” e acabou em 2007, a ser preso sob a acusação de burla por venda de passaportes diplomáticos falsos e utilização de matrículas falsas. . O Tribunal de Busto Arsizio condenou-o, em primeira instância,  a cinco anos de prisão, houve recurso e, entretanto, a acção prescreveu. Continua, contudo, na mesma senda, ao que parece, já que não desiste de abrir “consulados” por este mundo de Deus fora.


Partidários de Rosario Poidimani, só conheço um, o mui activo e diligente José António Travassos Valdez que polui a net com propaganda á “Casa Real Portuguesa, Linha Constitucional”! O valor de tudo isto é zero, poderá enganar alguns incautos que se queiram emplumar com cargos e ordens honoríficas inexistentes, nada mais. Agora que este lixo irrita, irrita. O Poidimani é uma melga, não faz qualquer mossa ,mas  irrita pois este abastardamento de títulos e ordens honoríficas pretensamente portugueses, este abastardamento daquilo que é a simbologia histórica do nosso país aborrece qualquer cidadão. Mas há uma parte altamente positiva em toda esta frenética actividade que são os discursos de Poidimani ao povo português….que nem sequer sabe quem ele é! Discursos perfeitamente hilariantes, surreais e que merecem publicação na íntegra pois são a prova provada de que sem aquele “pretendente” passamos perfeitamente e só temos a ganhar!


Como fechar completamente esta impertinente questão…não sei! Ignorar por completo a propaganda rosarista parece-me errado pois é deixar que se engane á vontade qualquer cidadão menos precavido, para além de ser um dever de todos nós lutar pela verdade da História. Responder ás provocações óbvias que sistematicamente percorrem a net acaba a reverter em propaganda ao Poidimani, que apenas a merece pelas piores razões…Assim, um meio termo talvez seja o caminho e, nesse meio termo cabem, de certeza, os discursos magistrais e empolgantes com que costuma mimosear os tais portugueses que nem sequer sabem quem ele é , mas que têm direito a rir um bocado nestes momentos de crise dramática que atravessam.


Assim, deixo uma palavra de apreço ao Monárquicos.com que, dando espaço a Poidimani para este poder ser livremente contraditado, permite o fácil desmascaramento de todo o embuste.


Dou assim por terminada a presente entrevista, a qual procurou abordar algumas temáticas que são do interesse dos monárquicos portugueses, sejam do ponto de vista da questão sucessória sob uma abordagem mais legal como até da opinião de uma Republicana sobre a Monarquia e a possibilidade desta em Portugal. Esperando que a presente entrevista tenha sido do vosso agrado, deixo à Sra. Dra. Benedita Vasconcelos um espaço à sua disposição para que possa abordar qualquer temática que considere importante e que, por lapso ou falha do www.monarquicos.com, não tenha sido abordada na presente entrevista a qual, desde já, foi um enorme prazer para mim e para o www.monarquicos.com.

Paulo Especial
Paulo Especial
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