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Dr. Paulo Estevão
Dr. Paulo Estevão Dr. Paulo Estevão
2008.09.16 15:03h
Entrevista ao candidato do PPM-Açores pelo círculo regional de compensação, Dr. Paulo Estêvão.
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Exmo. Sr. Dr. Paulo Estêvão, como olha para o papel que o PPM-A realizou na presente legislatura?
Realizámos um trabalho de grande sacrifício em prol das populações açorianas. Mesmo não estando representados no Parlamento Açoriano não deixamos de apresentar projectos e fiscalizar o executivo regional. Na Assembleia Municipal e no Conselho de Ilha do Corvo apresentámos mais de cem moções, sobre os mais variados assuntos. Enquanto partidos como o PDA, o CDS ou o BE foram infiltrados e condicionados pelos interesses do Governo Socialista, o PPM-A manteve-se como uma voz independente e crítica ao longo das três legislaturas socialistas.

Considera que os Açorianos olham hoje com outros olhos para o PPM-A e para o que este pode fazer pelos mesmos?
O regime socialista açoriano actual não é democrático. Em primeiro lugar, temos o culto ao chefe e o reconhecimento universal do carácter incontestável da sua autoridade. O Carlos César dos 99,6 % não sofre qualquer contestação interna, quer no partido, quer no Governo. Não se ouve uma só voz dentro do PS-Açores que se atreva a esboçar a menor crítica, mesmo que sectorial ou residual.

O registo geral das intervenções públicas dos responsáveis do regime sobre Carlos César é o da veneração e da glorificação. O tom e as metáforas utilizadas lembram os piores momentos de regimes como o de Ceausescu ou o de Enver Hoxha. Nada, absolutamente nada, distingue – para além da ausência de violência física – o culto dedicado ao líder pelo PS/Açores, do praticado historicamente por outras organizações partidárias totalitárias, como a União Nacional ou a Falange.

Os próprios responsáveis governamentais do PS-Açores não possuem verdadeira vontade própria. São, cada vez mais, habituais as declarações em que estes confessam que estão aplicando uma espécie de leis mentais do grande líder: “era o sonho do Presidente”, por “manifesta vontade do Presidente”, etc.

Em segundo lugar, temos a construção ideológica do regime. O PS-Açores, pela boca do seu líder, não aspira a representar uma só corrente ideológica, o socialismo democrático, como era pressuposto. Pelo contrário, Carlos César possui uma visão corporativa do regime. O PS-Açores “representa todos os socialistas e os não socialistas”. A única diferença que se pressupõe a aceitar é a ténue diferença entre “os mais e os menos socialistas”.

O discurso de Carlos César contempla todas as variáveis ideológicas. Para ele, os que criticam os lucros excessivos da banca e dos seus administradores são “fariseus”. Para os pobres e remediados promete os “bolsos cheios” para a prática, sempre filantrópica, da pesca eleitoral à linha. Isto é socialismo?

A alternativa ao PS-Açores “não pode, nem deve, ser protagonizada pela oposição”. Para Carlos César, “a alternativa ao PS-Açores é o próprio PS-Açores”. Qual é a diferença entre este discurso e o discurso corporativo e totalitário de Oliveira Salazar? Nenhuma, absolutamente nenhuma.

Em terceiro lugar, temos o crescente controlo dos meios de comunicação social por parte do regime. Os meios privados estão, actualmente, asfixiados economicamente e sobrevivem com crescentes dificuldades. A independência editorial é um luxo cada vez mais caro.

Nestas circunstâncias o PPM-A representa para o Povo Açoriano um espaço de liberdade e de irreverência. Somos um dos últimos obstáculos ao controlo total, por parte dos socialistas, desta sociedade. Não estou a exagerar, embora admita que muitas pessoas não residentes nos Açores possam achar excessivo o quadro político que acabei de descrever.

Como olha para a presente aposta do PPM nos Açores, acredita que o PPM-A tem presentemente capacidades para ser a maior força política no arquipélago?
Não temos qualquer hipótese, a curto e médio prazo, de sequer ousar sonhar com um feito desses. Veja que o orçamento do PS-Açores para estas eleições é de quase dois milhões de euros e o do PPM-A fica-se por uns modestos 4 mil euros (como não estamos representados no Parlamento Regional não recebemos qualquer financiamento estatal).

Nos próximos 30 dias seremos, pura e simplesmente, esmagados pelas máquinas partidárias dos grandes partidos. Para obviar esta desproporção de meios, vamos concentrar-nos em objectivos bem definidos: a eleição de um deputado pelo Corvo e tentar obter a melhor votação possível em São Miguel. Se o conseguirmos, em 2012 teremos muitos mais recursos e poderemos voltar a crescer.

Acha que os Açorianos e em especial os Micaelenses se irão identificar com o Sr. Eng. Gonçalo da Câmara Pereira?
Sim! O Gonçalo é um fundador do partido, um homem que participa no esforço eleitoral do partido desde 1974. Sem ele não seria possível ter a cobertura mediática que estamos a ter. Por outro lado, o Gonçalo da Câmara Pereira possui grandes potencialidades na luta eleitoral: consegue estabelecer, de forma instantânea, uma grande empatia com uma parte significativa do eleitorado.

Na minha perspectiva faltou-lhe sempre o apoio de uma organização eficiente. O PPM-A não tem a dimensão de um PS ou de um PSD, mas somos muito organizados, pacientes e disciplinados. É isso que nos permite ultrapassar problemas de escala e de recursos. O Gonçalo beneficiará, estou certo disso, destas características da organização local. Quanto ao apoio do eleitorado micaelense, não tenho dúvidas que teremos o melhor resultado de sempre em São Miguel.

No seu site, o PPM-A, indica que pretende conquistar a direita Micaelense. Pergunto-lhe se serão os Açorianos mais de direita que de esquerda na sua visão política?
O eleitorado açoriano é católico e conservador. O Partido Socialista local é completamente atípico. O Presidente do Governo Regional e os restantes membros do Governo, apesar de agnósticos, não falham uma Missa ou uma Procissão. O seu discurso é conservador e ferozmente “nacionalista”. Do ponto de vista da teoria política, o comportamento e discurso ideológico do PS-Açores é uma aberração. Veja que o BE e o PCP nem sequer lograram alcançar representação parlamentar, ao contrário do que sucede na República e na Madeira. 

Quais serão os seus objectivos, caso seja eleito?
Tenho uma carteira de objectivos enorme e extenuante. Em primeiro lugar quero moralizar, através do exemplo, a vida política açoriana, uma vez que me proponho não auferir como deputado mais do que o hoje recebo como professor (a diferença estará na ordem dos 3000 mil euros).

Tenho um compromisso, a assinar no notário, que estabelece, como condição para a repetição de uma possível candidatura, a obrigatoriedade de cumprir todo o programa eleitoral (em qualquer caso, o PPM possui, no seu estatuto interno, uma limitação de possíveis recandidaturas).

Lutarei pela liberdade de expressão e pelo fim da infiltração dos interesses políticos na administração regional.

Pugnarei pelo aprofundamento da autonomia regional – polícia regional, selecções desportivas próprias, ensino da história, geografia e cultura açoriana, domínio próprio, obrigatoriedade de consulta vinculativa aos órgãos regionais na negociação de tratados internacionais (Base das Lajes), etc. – e pela unidade nacional no quadro de uma autonomia política muito avançada para os Açores.

A recente intervenção do Presidente da República na questão do Estatuto de Autonomia mostrou a muitos açorianos a vantagem da monarquia sobre a república.

O actual Presidente da República comporta-se como o Chefe de Estado de uma potência ocupante, obcecado pelo número de audiências que terá de fazer no futuro (é tão ridículo como isso). Nas monarquias actuais o Chefe de Estado não é motivo de querela, mas de unidade.

Seria possível a manutenção da unidade de países como o Reino Unido, a Espanha ou a Bélgica sem a função integradora e universalmente representativa dos respectivos monarcas?

Vejo nesta questão um excelente mote para problematizar o regime republicano nos Açores. No entanto, não o farei no período eleitoral, uma vez que não quero parecer oportunista nesta questão.

Temos centenas de propostas no ambiente, na agricultura, nas pescas, no urbanismo, etc., mas não quero tornar esta resposta interminável. Nessa medida conto falar-vos destes projectos numa próxima ocasião. 

Paulo Especial
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Comentários Comentários (2)
Anónimo 19.09.2008 14:58:58
Força Paulo Estevão! Os Açores têm muito a ganhar com políticos como o senhor!
Anónimo 16.09.2008 23:49:26
Quero publicamente deixar um voto de confiança e um forte cumprimento ao dr. Paulo Estevão por esta magnífica entrevista, mas sobretudo pelo trabalho que tem vindo a desenvolver. Pedro Reis