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Entrevista ao Sr. Eng. Macário Correia
Entrevista ao Sr. Eng. Macário Correia Entrevista ao Sr. Eng. Macário Correia
2008.05.27 13:35h
Entrevista feita ao Sr. Eng. Macário Correia, Presidente da Câmara Municipal de Tavira e da Área Metropolitana do Algarve sobre diversas áreas de interesse para todos nós.
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Enquanto foi vereador na Câmara de Lisboa, o Sr. apresentou uma proposta a qual foi implementada relativamente à atribuição do nome de Olivença a uma das ruas da Capital, iniciativa posteriormente imitada por outras autarquias. Tendo a mesma sido fundamentada com o facto de que “...Olivença constitui uma referência importante da cultura portuguesa...”, “...do ponto de vista diplomático persiste por resolver a delimitação de fronteira entre Portugal e Espanha no território oliventino...” e “a cidade de Lisboa, tem por espírito consagrar na sua toponímia valores e referências fundamentais da cultura portuguesa...”. Como olha para o caso de Olivença e Terras de Juromenha enquanto Português, Autarca e Político?

 

Olho como uma questão por resolver e sobre a qual parecem existir receios e impasses demasiado longos. O Governo português devia perder a timidez e ousar colocar o problema na agenda das relações com Espanha.

 

 

Na sua opinião, como é que se poderia resolver este lítigio entre Portugal e Espanha, procurando-se manter a “face” de ambos os contendores?

 

 

Uma ronda de reuniões não públicas, com abordagens diplomáticas discretas e progressivas, e com a realização de iniciativas que envolvam os oliventinos de modo responsável, respeitando os seus sentimentos.

 

Devem os Oliventinos de hoje poder escolher o futuro do território de Olivença e Terras de Juromenha, visto existir já um Acordo entre Portugal e Espanha o qual consagra a devolução dos mesmos territórios a Portugal?

 

 

É uma questão delicada, mas que não pode ser referendada de ânimo leve. O ideal será ganhar a população progressivamente, antes de se avaliar a possibilidade de realizar, ou não, essa consulta.

 

 

Mudando agora para outra área, o Sr. enquanto Presidente da Área Metropolitana do Algarve (AMAL), a qual segundo li no site desta na Internet tem por missão “Potenciar o desenvolvimento dos municípios e reforçar a identidade conjunta da Região, mediante a articulação de interesses e criação de sinergias”, crê que a mesma pode ser vista enquanto uma alternativa a uma Regionalização que não ocorreu?

 

 

Este Governo é contra a regionalização, e na oposição e na Presidência da República não constitui matéria muito fácil de acolher. Temos que apostar numa progressiva descentralização, em primeiro lugar. Todavia, a centralização é a tendência actual do Governo em funções.

 

 

Com a AMAL, o Algarve procura por formas de se tornar autosuficiente procurando por maneiras de potenciar a aposta em projectos intermunicipais e de atracção de investimento Nacional e Estrangeiro?

 

 

Apostamos em projectos supramunicipais, mas não cabe à AMAL negociar investimento estrangeiro. Essa capacidade é detida pelo Estado.

 

 

Na sua opinião, deve a AMAL apenas manter uma parceria com o Governo Nacional ou irá igualmente procurar efectuar convénios com os Governos Espanhol e Andaluz?

 

 

Temos muitas relações de cooperação com a Andaluzia, mas sobretudo no contexto dos fundos europeus.

 

 

Recordo que tem sido uma meta do Sr. Eng. Macário Correia, creio, a criação de um Hospital para o Sotavento, com a possibilidade deste ser inclusivé Universitário por forma a suprir a falta que existe nas áreas da Saúde e Académica do Algarve. Com a realização do novo Hospital Central no Parque das Cidades, ficará este projecto em risco?

 

O Hospital Central previsto para o Parque das Cidades não resolve os problemas de saúde do Algarve. São necessárias outras unidades e equipamentos diferenciados. Pugnamos por um pequeno hospital em Tavira.

 

 

Por forma a rentabilizar, maximizar e ir procurar buscar financiamento a ambos os lados da fronteira, estará por ventura estudada a possibilidade da realização de um Hospital Transnacional, em substiuição do proposto Hospital para o Sotavento, o qual poderia ser localizado entre Castro Marim ou Ayamonte e que serviria as populações do Sotavento Algarvio e do Ocidente Andaluz até Lepe?

 

A existência de um hospital perto da fronteira e com acordos entre os serviços de saúde pode-se tratar uma população dos dois lados. Assim já acontece com a maternidade de Badajoz. Outros exemplos poderão vir.

 

 

Tem sido igualmente notória a aposta numa visão mais ecológica para o Algarve. Como por exemplo, a aposta numa Ecovia do Algarve em 4 eixos. Pergunto igualmente se há planos para a restruturação viária de modo a permitir uma mais fácil deslocação de ciclistas dentro das Urbes Algarvias?

 

Temos projectos para outras ecovias e estamos convencidos que o futuro exigirá muito neste domínio.

 

 

Outro dos Projectos da AMAL é o Programa Energia Inteligente – Europa, onde se procura aumentar e racionalizar o grau de eficiência energética no Algarve. Pergunto se o Algarve procura implementar ou padronizar, como é o caso da Energia Solar, o uso de energias renováveis (e não só) como a Energia Eólica, das Marés, etc.. E se há uma eficiente fiscalização a qual permita comprovar a correcta implementação destas medidas?

 

Estamos a trabalhar nesse sentido. A energia é, tal como a alimentação, matéria da maior relevância política, não só hoje, como nos próximos tempos.

 

 

Para aqueles que não tendo acesso a Energias Renováveis mas tenham interesse em investir nestas, tem a AMAL algum incentivo para os mesmos? Em caso afirmativo, quais por exemplo?

 

Existem incentivos diversos, e agora com o Plano Nacional para a Eficiência Energética ainda mais apoios e estímulos estão ao alcance de todos.

 

 

Uma área da qual o Algarve muito se tem queixado refere-se às ligações terrestres para com as Regiões vizinhas assim como a nível interno. Há planos que promovam a reestruturação viária e ferroviária da Região? Falo por exemplo da criação de alternativas à Estrada Nacional 125, do estudo de uma ligação Vila Real de Santo António – Bragança em Itinerário Principal ou Auto-Estrada o qual promova o interior Nacional, a renovação ferroviária da Linha do Algarve de forma a que esta se torne numa alternativa ecológica viável e mais económica para quem se desloca em viatura própria, a eventual ligação ferroviária entre Faro e Huelva/Sevilha a qual permitiria potenciar a Ligação Faro – Lisboa.

 

Temos muitas ambições neste domínio. Solicitámos ao Governo a criação de um grupo de trabalho, o qual ainda pouco deu, mas precisamos de novas ligações ferroviárias e da melhoria das existentes. Um metro de superfície, e ligações ao aeroporto de Faro e a Espanha, fazem parte das nossas ambições.

 

 

No Algarve o Aeroporto de Faro é um ponto fulcral da entrada de Turistas na Região. O que a AMAL tem procurado fazer por forma a coordenar esforços entre as entidades Aeroportuárias, Turísticas e Camarárias, entre outras, por forma a tornar o Algarve ainda mais atractivo para o Turismo Estrangeiro com principal enfâse num Turísmo de Qualidade?

 

Têm-se feito campanhas articuladas com a RTA, e com outras associações. O turismo é vital para o Algarve e não podemos em nada descurar o bom acolhimento aos que nos procuram.

 

 

A apresentação das propostas para a abertura ao tráfego aéreo internacional do Aeroporto de Beja, o avanço da Municipalidade de Portimão para a criação de um Aeroporto próprio e o estudo por parte da Região de Huelva para a construção de um Aeroporto nesta, não poderão fragilizar a posição Turística Algarvia?

 

De modo nenhum. Quanto mais portas de entrada, tanto melhor para o Algarve.

 

 

Não será do interesse da Região Turística do Algarve, enquanto Região preferêncial do turismo em Portugal e com uma experiência alargada, a de procurar trabalhar em conjunto, tanto a nível interno, coma a nível regional, Nacional, de modo a que se procure evitar uma competição desnecessária pelo turista e procurando maiximizar a atracção turistíca para a Nação no seu todo?

 

O turismo em todo o Mundo tem uma promoção regionalizada. Os produtos turísticos são diferenciados e como tal têm que ser divulgados.

 

 

Relativamente ao Turísmo, a Região vive da Sazonalidade, é possível atrair jovens e não só, para que venham habitar e trabalhar no Algarve quando ainda existe uma tal precaridade a nível de postos de trabalho? O que se tem feito para contrariar esta precaridade e como se tem procurado atrair jovens para o Algarve?

 

Tem havido um esforço para o combate à sazonalidade. O golfe tem sido um desses trunfos. Existe também uma tendência para uma oferta mais sólida de postos de trabalho duradoiros.

 

 

O Algarve, comparativamente com as demais Regiões Nacionais, tem um custo de vida igual ao da Àrea Metropolitana de Lisboa, sem que isso no entanto se traduza num rendimento per capita equivalente. Há alguma justificação para a prática destes preços, em especial quando os maiores prejudicados são os próprios Algarvios? Que medidas podem ser tomadas por forma a que esta situação se possa evitar?

 

Medidas que contrariem não são fáceis. A economia é aberta e com a pressão de um poder de compra forte dos turistas, os preços manifestam-se.

 

 

O Sr. Engenheiro é autarca há já alguns anos de Tavira, como tem olhado para este período de tempo e como olha a Tavira de hoje, relativamente aquela que encontrou?

 

Tavira em 10 anos mudou bastante. Eu, como juiz em causa própria, não serei o melhor conselheiro. Mas é evidente o que se tem feito nas áreas do património e da cultura, entre outras. Todo o concelho tem uma série de equipamentos novos e respira-se um sentimento de desenvolvimento sustentável.

 

 

Tavira, hoje, tem um maior acesso à Cultura, tem sido notória a aposta da CMT na procura da implementação de estruturas urbanisticas que visem uma defesa da imagem da Cidade e um maior respeito ambiental assim como do cidadão. Pode-se dizer que Tavira aprendeu com a febre imobiliária que assolou o Barlavento Algarvio e que praticamente o descaracterizou? Há algum convénio que procure harmonizar as políticas urbanisticas, Ambientais e Sociais ao nível do Sotavento Algarvio?

 

Não existe qualquer convénio, existe sim um bom senso e uma aposta muito séria na qualidade.

 

 

Mudando novamente de tema, para uma visão agora mais Política. O Sr. Eng. Macário Correia, tem tido todo um percurso político Nacional o qual é por certo conhecido pela grande maioria de todos nós. E assim perguntava-lhe relativamente à questão do Artigo 288º, alínea b da Constituição. Deve Portugal e os Portugueses manterem-se, forçosamente, sob uma República ou acha que os Portugueses deveriam poder escolher o Regime que mais propício achassem para o País, mantendo-se apenas a obrigação deste ser Democrático?

 

A história tem mais casos de monarquias que evoluíram para repúblicas do que o contrário. Não será fácil inverter esta tendência.

 

 

Como olha para o presente Movimento Monárquico Português, acredita que este procura servir o interesse Nacional ao defender uma visão alternativa de nível Regimental para Portugal ou considera este movimento enquanto uma faceta já ultrapassada da nossa política?

 

Vejo com simpatia todos os movimentos sérios e com convicções puras e genuínas. Cada qual deve-se bater por aquilo em que acredita. Há que respeitar com civismo as ideias dos outros.

 

 

Devem os Monárquicos procurar constituir uma alternativa política que procure colmatar as aparentes lacunas dos actuais partidos. Passando para além da questão regimental no interesse da defesa Nacional?

 

Julgo interessante que se esforcem por isso, mas não parece fácil. Haverá que persistir.

 

 

Como olha para aqueles que dentro dos diversos partidos da esquerda à direita, se assumem enquanto Monárquicos. Será um contrasenso a existência de Monárquicos que trabalhem em associação com a República?

 

Não será contrasenso, será porque acreditam que por aí podem bater-se por projectos e ideias válidas.

 

 

Tem sido levantada, por parte de alguns monárquicos, a questão para a realização de Cortes em Portugal, apesar deste ser actualmente uma República. Crê que tal situação seria prematura ou até ridicularizável precisamente por Portugal ser, hoje, uma República e aparentemente os monárquicos uma minoria?

 

Não existem condições para tal a curto prazo. Nunca se poderão iludir os desejos com a realidade.

 

 

Termino aqui a entrevista ao Sr. Eng. Macário Correia desculpando-me desde já, com o tamanho da mesma a qual justificarei pela abrangência política que o Sr. Eng. Macário Correia tem englobado ao longo do seu percurso. Gostava, no entanto, de o convidar a expor alguma temática que não tenha sido referida nesta entrevista e que o Sr. Eng. considere ser do interesse público.

 

O tabaco, que hoje já é mais combatido do que no passado, não poderá deixar de ser alvo do nosso combate cívico, pelo direito à vida e por novas gerações mais saudáveis.

Paulo Especial
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